Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 17/08/2021
No livro “Vou Emagrecer… Ainda Que Isso Me Mate!”, da autora canadense Dorothy Joan, retrata a vida de Melanie, que, ao sofrer preconceito por estar acima do peso, iniciou uma rigorosa e irregular dieta, a qual resultou em sérios prejuízos a sua saúde. Fora da ficção, nota-se que essa situação ocorre com grande frequência no Brasil, onde pessoas fora da faixa estética magra são vítimas da gordofobia instaurada na sociedade. Acerca desse debate, é importante destacar dois fatores: o padrão de beleza implantado no meio social atual e as consequências do comportamento gordofóbico.
Primeiramente, percebe-se que a sociedade atual é regida por padrões de beleza que vão de encontro à valorização do corpo gordo. Na Teoria das Formas, o filósofo grego Platão afirma que há um “Mundo das Ideias”, onde toda matéria adquire aspecto perfeito, sendo nossa realidade construída a partir desses formatos, porém de maneira imperfeita. Condizente a isso, as pessoas pensam que a estética magra faz parte desse domínio sem falhas, a qual deve ser alcançada a todo custo, menosprezando o visual mais volumoso. Desse modo, o sentimento gordofóbico é cada vez mais instaurado no meio social presente, em que os indivíduos acima do peso são julgados por não fazerem parte dessa esfera impecável.
Em segundo plano, a gordofobia provoca diversos males aos sofredores desse preconceito, causando, muitas vezes, o agravamento de seu estado de saúde. Essa informação é ratificada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a qual afirma que essa intolerância provoca, nas vítimas, sintomas depressivos, altos índices de ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, estresse, uso de drogas e compulsão alimentar. Dessa forma, gastos que poderiam ser investidos em outra área da sociedade, devem ser utilizados para o tratamento das pessoas que sofem ataques gordofóbicos, desencadeando um retrocesso no desenvolvimento humano do Brasil.
Tendo em vista esses fatores, torna-se necessário acabar com a gordofobia no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, órgão responsável pela gerência do sistema educacional brasileiro, deve conscientizar os estudantes sobre esse preconceito, promovendo aulas sobre o assunto, regidas por profissionais da área, com o intuito de evitar a prática de ataques gordofóbicos no ambiente escolar. Além disso, é fundamental que o Governo Federal faça propagandas que incentivem o uso do Disque 100 em casos de ataques gordofóbicos, com a finalidade de providenciar assistência adequada para a vítima. Dessa forma, casos como o de Melanie poderão ser evitados.