Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/08/2021

Segundo a Constituição Cidadã de 1988, todo cidadão é digno de respeito e aceitação social. No entanto, a comunidade obesa, vítima frequente de preconceito, não possui pleno gozo desse direito. Sob essa ótica, cresce o debate sobre a gordofobia no Brasil, rejeição intimamente ligada à padronização dos corpos e à estereotipação de indivíduos “corpulentos”.

Em primeira análise, é válido salientar a padronização dos corpos como uma das pautas no debate acerca da gordofobia no Brasil. Na tradição greco-romana clássica, regida pelo mote “mente sã, corpo são”, o físico ideal estava intrinsecamente relacionado ao pleno desenvolvimento do indivíduo, ou seja, era necessário encaixar-se nos arquétipos previstos. Hodiernamente, o padrão imposto, sobretudo pela mídia brasileira, quanto ao modelo estrutural perfeito, magro e musculoso, faz com que as pessoas gordas se tornem vítimas de preconceito. Nessa perspectiva, surge a discussão sobre a influência dos moldes propostos pelos poderes que regem a sociedade, dentre eles a esfera midiática, na discriminação contra os obesos.

Outrossim, a estereotipação atribuída à corpos gordos também configura um tema discutível no tocante à gordofobia na sociedade brasileira. No imaginário comum, a obesidade está relacionada somente à má alimentação e ao sedentarismo, este, com frequência, dito como preguiça. Assim, a pessoa acima do peso é estigmatizada como um ser negligente e incapaz de controlar as próprias vontades. Todavia, o excesso de gordura corporal, de acordo com a revista Galileu, está ligado não só a esses fatores, mas à má qualidade do sono, condições socioeconômicas, uso de medicamentos, desequilíbrio hormonal e genética, em outras palavras, está além do que prega o senso comum.

Em vista disso, a fim de diminuir a incidência da gordofobia no Brasil, cabe ao Governo Federal, aliado às principais emissoras de televisão do país, criar uma regra para a difusão de comerciais e novelas nos canais midiáticos. Tal norma deverá exigir a participação de indivíduos de diferentes composições corporais na divulgação de produtos ou atuação, com a finalidade de normatizar os diferentes padrões de corpos presentes na sociedade. O órgão que descumprir essas diretrizes, estará sujeito à multa e suspensão. Ademais, é dever do Ministério da Educação elaborar palestras sobre as causas da obesidade, suas consequências e a necessidade de respeitar as pessoas gordas. Essa exposição deverá ser feita nos centros educacionais, através de folhetos explicativos e bate-papo com nutricionistas e psicólogos, no intuito de explicar e desrrotular os “corpulentos”. Dessa forma, a comunidade obesa obterá pleno usufruto das garantias constitucionais.