Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 16/08/2021
A “Vênus de Willendorf”, uma escultura paleolítica exposta no Museu de História Nacional de Viena, retrata a idealização do corpo feminino com bastante volume na barriga, simulando uma característica ligada à fertilidade e vista como positiva.Apesar do hiato temporal entre a obra e hoje, percebe que o anseio por se adequar a um tipo físico transpassa o âmbito artístico.Contudo, nos dias atuais essa arte seria menosprezada, visto que há um crescente preconceito com o corpo gordo, sendo necessário o debate sobre a gordofobia no Brasil, a fim de desmistificar o ideal de beleza e saúde.
Em primeiro plano, é interessante abordar que o diálogo a respeito da gordofobia deve focar no exemplo de beleza imposto pela sociedade com a glamurização da magreza em detrimento da gordura vista, diversas vezes, como algo negativo.Nesse sentido, é válido trazer o discurso da filósofa Marcia Tiburi, a qual explana que os preconceituosos sustentam um ideal falso de superioridade com o seu discurso e isso se aplica nos indivíduos que menosprezam o corpo mais gordo caracterizando-o como inferior.Dessa forma, tal visão gordofóbica desrespeita a integridade dos cidadãos que têm o direito de serem diferentes e não unicamente magros.Além disso, é preciso que as pessoas alterem suas mentalidades engessadas em um único conceito de “belo” e ampliem a aceitação dos diversos tipos físicos existentes como fez a empresa Victoria Secrets,noticiada pelo jornal Folha de São Paulo, a qual irá escolher modelos por suas realizações pessoais e não por terem um pouco peso.
Em segundo plano, simultaneamente a isso o padrão de saúde deveria ser interligado a exames físicos e não a um retrato de corpo perfeito.Desse modo, o debate da gordofobia é crucial no Brasil para desmistificar que ser gordo é igual a ser sedentário.Tal questão pode ser exemplificada com o dado da Revista Forbes, que o condicionamento físico pode ajudar a compensar o excesso de peso,ou seja, a chance de ter problemas de saúde não é necessariamente ligada ao peso, mas sim a qualidade de vida que a pessoa tem (alimentação saudável e exercícios físicos, por exemplo).Por essa ótica, o preconceitocom a gordura é baseada na falta de estudo da população que precisar ser resolvida .
Portanto, para minimizar os impactos negativos causados pela gordofobia no Brasil, cabe ao Ministério da Saúde com o da Educação criarem o projeto “Todo corpo é digno de respeito”, o qual irá realizar palestras e debates em centros educacionais intermediados por psicólogos, médicos e cidadãos que sofrem com esse tipo de preconceito, a fim de incentivar uma mudança de mentalidade, ampliando o conceitos de beleza para vários tipos físicos. Em outra perspectiva, é fundamental também promover o acesso ao atendimento psicológico gratuito para as pessoas que sofrem essa discriminação.Essas ações irão ressignicar a Vênus atribuindo-lhe mais silhuetas vistas como aceitas e respeitadas.