Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/08/2021

Recentemente, com a popularização dos meios de comunicação, muito se tem discutido a respeito de diversos temas polêmicos, porém, alguns assuntos ainda não recebem o devido reconhecimento, sendo um desses a gordofobia. Através de fontes científicas como o periódico “Nature Medicine”, foi constatado que o preconceito compromete a saúde de pessoas acima do peso e  dificulta o acesso a medicamentos e tratamentos. Infelizmente, o Brasil não se vê livre dessa realidade e por isso é necessário que debates a respeito de tais problemas, como por exemplo, a falta de informação da população e o desencadeiamento de transtornos alimentares.

Em primeira análise, é importante notar como a gordofobia no Brasil, é uma consequência direta da falta de informação que se tem a respeito do assunto, é comum observar como a sociedade tende a agir de forma errônea por não ter ideia do tamanho da repercussão dos preconceitos vingentes. Muitos se baseiam no próprio índice de massa corporal (IMC) para julgar aos outros, entretanto, até este pode estar errado em  casos como o do boxeador Mike Tyson que em seu auge, tinha um IMC indicando obesidade mórbida, porém, tinha grande quantidades de massa corporal. Esses dados acabam por levar a população, inclusive profissionais médicos, a fazer análises e julgamentos superficiais que não são dignos de pessoas que se encontram acima da faixa “normal” imposta pelos padrões sociais.

Em segunda análise, é válido falar como a gordofobia pode por muitas vezes não só promover o aumento de pessoas sobrepeso e obesas, como também, casos de distúrbios alimentares. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 4,7% dos brasileiros são afetados com transtornos alimentares. Observando esses dados pode-se afirmar como o número de casos já se mostra elevado e não é um problema inerente as pessoas que o sofrem, mas sim, uma grave questão de saúde mental coletiva. Quando padrões estéticos são estabelecidos e divulgados, acabam por desenvolver pessoas depressivas e ansiosas que buscam por corpos magros surreais e não saudáveis, ou em outros casos, engordam sem parar por conta do descontrole emocional.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas em prol de diminuir os efeitos da gordofobia no Brasil. O Ministério da Educação, órgão responsável pela regulamentação educacional do país, deve por meio de debates com a população, sanar a desinformação a respeito do tema a fim de acabar com a reprodução de preconceitos e desenvolvimento de transtornos alimentares. Em paralelo, o Ministério da Saúde, órgão encarregado de administrar a saúde pública, tem de oferecer acompanhamento psicológico, através de programas de tratamento a distúrbios alimentares. Ao completar essas requisições finalmente será possível viver em um país mais respeitoso com os diferentes corpos.