Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/08/2021

Com o advento da Revolução Técnico-científico-informacional, ocorrida no século XX,  o mundo passou a consumir conteúdo virtual de redes sociais de forma exacerbada, de modo que é influenciado por vidas perfeitas e corpos sarados. Porém, fora do tablado cibernético, a variedade de formas corporais na sociedade brasileira não condiz com o que é representado nas mídias sociais, resultando no preconceito contra as pessoas obesas. Nesse sentido, convém analisar como esse discurso de corpo perfeito se consolidou, bem como a influência da mídia sobre o pensamento coletivo.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que os padrões estéticos de beleza sempre permearam diferentes povos e sociedades. Desde a Grécia Antiga, por exemplo, corpos simétricos e musculosos foram exaltados como ideal de perfeição. Entretanto, nos dias atuais, o que não corresponde a tal padrão passou a ser considerado um motivo de desprezo pelos brasileiros, uma vez que o fato de estar acima do peso geralmente é associado a enfermidades e à ausência de beleza, contrariando, portanto, o conceito de “cordialidade”, do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o qual diz que o brasileiro é afável e empático. Dessa maneira, é preciso compreender que a discriminação e a repulsa àquele que se encontra sobrepeso ou obeso - gordofobia - são mazelas sociais que resultam na formação de uma comunidade civil preconceituosa.

Em segundo plano, cabe frisar que, como resultado da eclosão da Revolução Técnico-científico-informacional, as mídias sociais passaram a servir como uma vitrine de criação de necessidades, ou seja, cria-se um cenário no qual é preciso ter um corpo “perfeito” para que se tenha uma vida feliz. Ademais, a Indústria Cultural, tratada pelos filósofos Theodor Adorno e Horkheimer, apresenta os meios de comunicação em massa como fonte de alienação social. Nesse contexto, utiliza-se da insegurança das pessoas quanto aos seus corpos para aliená-las e, assim, lucrar com a venda de produtos. Nesse viés, à medida que a sociedade é bombardeada por essa necessidade salientada pelos meios de comunicação, surge uma frustração que resulta na exclusão social desses indivíduos.

Portanto, diante dos fatos supracitados, fica clara a importância do debate acerca da gordofobia no Brasil. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas públicas destinadas a projetos educacionais, promover ações educativas na instituições de ensino, tais como debates e palestras, por meio do diálogo com profissionais da psicologia e com pessoas que já sofreram esse tipo de preconceito, com o fito de educar jovens e crianças a entenderem as diferenças e a não terem gordofobia. Assim, poderá ser edificada uma sociedade que rompe com o culto ao padrão de corpo e que aceita a diversidade.