Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/08/2021

Fernando Bottero mostrou-se para o mundo com um jeito particular de fazer arte ao desenhar figuras gordas. Apesar de a significância dessa representação ir além, o que se provocou com suas obras foi a demonstração de beleza em corpos volumetricamente maiores, o que normalmente não era concebido. O alvoroço que as cercou, e ainda as cerca, está justamente associado com um tipo de preconceito social em relação a essas anotomias, a gordofobia. Tal questão pode ser destrinchada por meio dos seguintes estigmas: a errônea percepção de falta de saúde desses corpos e o padrão de beleza inexistente.

Em primeira análise, admite-se como a falta de saúde vai muito além de um estrutura mais gordurosa ou não. Por muitos anos, muito se estabeleceu que um corpo menos gorduroso era sempre o mais saudável. Em contra ponto, a gordura era alvo de muitos preconceitos e acusações de maus hábitos alimentares e, assim, más condições de saúde. Entretando, tal concepção, apesar de, sim, ter sua relevância na aparência, vai muito além do que é visivelmente estabelecido. Enquanto a magreza pode ser ausência, a gordura também pode ser presença de uma boa condição, e vice-versa. Essa ruptura fora observada no filme “O mínimo para viver”, em que adentrou-se em interpretações sobre o corpo muito além do que se consegue ver, como, por exemplo, psicológicas. A protagonista mostrou como os extremos, sejam de obesidade ou, no caso dela, magreza, podem ser prejuciais a vida, ao mesmo tempo que ambos não são unicamente alvos de má conduta alimentar.

Outrossim, expõe-se como o padrão de beleza existente em sociedade é algo nocivo no sentido de cegar a beleza dos demais corpos. De acordo com Guy Debord, a sociedade se estabelece semelhante a um espetáculo, por imagens e aparências. Esses artifícios acabam por elitizar belezas, como a magreza, por exemplo, nas quais, erroneamente, exclui as demais existentes em outros tipos de corpos e os marginalizam como idesejáveis. Foi isso que se pôde perceber com a série “Instable”, da Netflix, na qual a protagonista só foi capaz de ter ascensão na vida quando deixou de ser gorda e se inseriu no padrão, tendo a percepção de falha de apresentar, então, um corpo capaz  de ser espetáculo.

Concluí-se, portanto, o quão essencial a quebra dos estigmas apresentados é para que o corpo gordo deixe de ser alvo de preconceito. Para isso, grandes artifícios visuais, como as propagandas publicitárias des corporações de moda, devem viabilizar a apresentação desses corpos como, também, estruturas belas. Por meio de uma obrigação legal no Brasil para uma maior exposição de diversidades de anatomias, como as que já ocorrem quanto a proibição de direcionar esses veículos às crianças, se estimulará a concepção de que corpos, não importa como sejam, devem apresentar seu lugar.