Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 17/08/2021
Na história em quadrinhos “Turma da Mônica”, criada pelo cartunista brasileiro Mauricio de Sousa, a protagonista Mônica sofre constantes ataques verbais de Cebolinha e de Cascão por conta de seu peso, os quais sempre são revidados por meio de “coelhadas” com o seu bicho de pelúcia. Fora da ficção, assim como a personagem, inúmeras pessoas gordas sofrem cotidianamente ataques contra o próprio corpo. Diante dessa conjuntura, o debate acerca da gordofobia no Brasil é de fundamental importância para se analisar questões como a patologização do corpo volumoso na atualidade, bem como a consequente marginalização desses indivíduos.
Constata-se, inicialmente, que uma das principais questões que permeiam a gordofobia no país é a patologização da pessoa gorda. Isso ocorre, porque, devido ao avanço da medicina, diversos estudos acerca da obesidade ganharam espaço em discussões internacionais. Dessa forma, como maneira de deter essa doença, inúmeros métodos de controle de peso foram criados a fim de manter a pessoa com uma massa corpórea supostamente ideal. Dentre esses métodos, o mais famoso é o Índice de Massa Corporal, o qual, criado no século XIX e adotado pela Organização Mundial de Saúde, baseia-se no modelo corporal europeu, além de considerar apenas fatores numéricos como peso e altura. Assim, desconsiderando fatores genéticos, estruturais e sociais em países de outras partes do mundo, como o Brasil, a equivocada visão de que um corpo gordo é necessariamente pertencente a uma pessoa doente se tornou comum na sociedade.
Consequentemente, múltiplos malefícios afetam as pessoas gordas, dentre elas a marginalização desses cidadãos, ocasionada pelo não pertencimento ao padrão imposto pela sociedade. Tal fato é demonstrado na dificuldade expressa desse grupo de encontrar roupas adequadas ao seu tamanho em lojas convencionais ou até de encontrar locais com assentos apropriados. Essa perspectiva associa-se ao pensamento do estudioso francês Michel Foucault, o qual defende que a dignidade humana é formada por aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Dessa forma, quando um desses fatores não é atendido, o indivíduo não consegue usufruir uma vida saudável e plena. Assim, na problemática em questão, a perpetuação da invisibilidade gorda em locais do cotidiano, tolhe a dignidade dessa pessoa como cidadão.
São necessárias, portanto, medidas que transformem essa realidade. Para isso, o Governo Federal promoverá o respeito aos diferentes biotipos por meio de campanhas que desmistifiquem a ideia de que o peso está necessariamente ligado a uma pessoa relaxada e doente, a fim de que tais indivíduos consigam o respeito que merecem e não sofram mais com a exclusão tão latente na sociedade.