Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/08/2021

Na série “Euphoria”, produzida pela HBO, é retratada a história de Kat, uma adolescente que sofre com os julgamentos de terceiros por ter um corpo com alguns quilos a mais do que o “padrão”. Fora da ficção, observa-se que tal problemática ocorre, também, na sociedade brasileira, na qual pessoas sofrem com a gordofobia, por não se encaixarem na “estética magra” que é disseminada. A partir desse viés, faz-se válido analisar a consequência desse preconceito na vida das vítimas e a importância do debate a respeito do assunto na base educacional do cidadão.

A priori, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, na sociedade contemporânea emergem individualismo e fluidez nas relações. Nessa perspectiva, vê-se que o ser humano está cada vez mais centrado em si mesmo, sem observar o que ocorre ao seu redor e sem se preocupar com a replicação de padronizações estéticas, incoerentes, que se consolidam na sociedade. Desse modo, cada vez mais indivíduos têm praticado a gordofobia, isso porque é mais fácil agir conforme o julgamento da massa e atacar causas que não fazem parte do seu cunho individual. Assim, as pessoas que sofrem com esse preconceito são cada vez mais empurradas para a periferia da interação social, fato que produz grandes impactos, como a ansiedade e depressão, que influenciam em toda vida pessoal da vítima.

Ressalta-se, ainda, que, para o combate à gordofobia, é necessário que haja o debate sobre a temática desde a base de formação do indivíduo. De acordo com o filósofo John Locke, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por suas experiências e influências. Dessa maneira, se for ensinado ao cidadão, tanto em seu seio familiar, quanto no centro educacional frequentado, que o preconceito contra pessoas acima do peso “padronizado” não é uma normalidade, tão pouco sadio para quem sofre ou quem o pratica, o número de casos relatados a respeito desse tema reduzirá. Assim, a convivência entre diferentes não será cerceada de estigmatizações infundadas.

Nota-se, portanto, que é imprescindível o debate acerca da gordofobia na sociedade brasileira. Para tanto, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia social, informe sobre esse preconceito e divulgue canais de apoio, por meio de propagandas em horário nobre, com a participação de especialistas, com a finalidade de que as pessoas entendam essa problemática e não a dissemine. Faz-se necessário, ainda, que as coordenações de ensino pedagógico, em parceria com a secretaria da saúde de cada município, promovam palestras acerca do assunto, com a disponibilidade de psicólogos e psiquiatras, e com a participação familiar, para que haja uma maior reflexão sobre o assunto e identificação e tratamento dessa problemática. Desse modo, então a realidade vivida por Kat não será a de tantos outros brasileiros que estão acima do “peso social”.