Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 19/08/2021
O doutor Adriano Segal, psiquiatra do centro especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz define gordofobia como um neologismo para o comportamento de pessoas que julgam alguém inferior, desprezível e repugnante por estar acima do peso. Sob essa ótica, são perceptíveis os efeitos negativos desse tipo de discriminação sobre os obesos. Nesse sentido, os estereótipos recaídos sobre esses indivíduos e a equivocada ideia de que não ser magro é uma doença potencializam essa questão. Dessa forma, cabe analisar as causas e impactos dessa problemática em nome da integridade física e mental dessas pessoas.
A princípio, é fato que os estigmas relacionados à obesidade estão diretamente atrelados a essa grave chaga social. Nesse viés, consoante os versos de Drummond, “No meio do caminho tinha uma pedra, Tinha uma pedra no meio do caminho", a gordofobia configura-se como uma “pedra” no caminho de muitos indivíduos acima do peso. Isso porque grande parte desse prejulgamento é o resultado de um pensamento equivocado de que as pessoas obesas não cuidam da saúde, não fazem exercício e são preguiçosas. Desse modo, em razão desses estereótipos, precursores da gordofobia,muitos sujeitos que se encontram acima do peso tendem a desenvolver uma baixa autoestima e um isolamento social, o que pode acarretar o aumento dos índices de obesidade e da ingestão de comida, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Para além dessa reflexão, a ideia de que apenas as pessoas magras são saudáveis agrava a gordofobia. Nessa perspectiva, o filósofo Platão acreditava que o importante não é só viver, mas viver bem. A partir desse pensamento, a sociedade, por vezes, relaciona saúde com peso e muitos indivíduos pensam que estar acima do peso impede que as pessoas vivam bem. Sob esse prisma, muitos acham que engordar é “o fim do mundo” e não suportam essa ideia, em virtude de uma pressão, advinda, não só do meio social, mas também, da família, para o alcance dos padrões estéticos impostos pela mídia. Posto isso, devido a essa infeliz ideia que liga sujeitos acima do peso à falta de saúde, esses indivíduos podem manifestar doenças reais, como anorexia e bulimia, além de outros transtornos alimentares.
Infere-se, portanto, que os estereótipos e a equivocada ideia de que não ser magro é um problema de saúde agravam a questão da gordofobia. Assim, é essencial que o Ministério da Saúde promova seminários, por meio de palestras nas redes sociais e, principalmente, nas escolas, ministradas por médicos e psicólogos, sobre os impactos da gordofobia, além de depoimentos de pessoas que já sofreram com esse preconceito, com o intuito de garantir uma população mais saudável e menos preconceituosa. Destarte, a gordofobia poderá se tornar um neologismo esquecido pelos brasileiros.