Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/08/2021
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura que todos os cidadãos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Todavia, fora do âmbito legislativo, tal pressuposto não é legitimado, fato visto no intenso debate existente sobre a gordofobia no país, ação discriminatória que causa enorme prejuízo psicossocial. Esse fato é propiciado, ora pela difusão de um padrão estético, ora pela ligação feita entre excesso de peso e doença.
Em verdade, constantemente é imposto, de forma, seja explícita, seja implícita, um ideal de belo, sendo alvo de ataques e de preconceito tudo aquilo que não se encaixa no estabelecido. Nessa perspectiva, com a Revolução Digital e com o advento da internet, a difusão de modelos de corpos considerados bonitos aumentou, tendo como característica principal a magreza, muitas vezes, até extrema. Analogamente, com a Globalização e com o capitalismo, as indústrias alimentícias investiram em redes de “fast food” e enlatados, comidas que além de não serem saudáveis, estimulam o acúmulo de gordura. Dessa maneira, jovens e crianças, os mais afetados, devido à fragilidade crítica, própria da idade, são bombardeados por propagandas e produções cinematográficas que cobram uma padronização estética, mas que, estando inseridos em contexto de intensa agitação, não tem acesso a uma nutrição e um acompanhamento físico adequado. Assim, ao se apresentarem com um sobrepeso são discrimadas e excluídas, tendo na escola um espaço propício para o debate e para a mudança.
Outrossim, erroneamente, o excesso de peso é associado a falta de saúde, o que corrobora a problemática. Sob esse viés, no filme “Sierra Burgess é uma loser”, é retratada uma jovem acima do peso, vítima de bullying, em que são questionados seus hábitos higiênicos, fazendo com que essa tenha vergonha de si mesma e use a rede social para se esconder, fingindo ser outra pessoa. Da mesma forma, fora da ficção, as pessoas que não estão em um estreito índice de massa corporal, são postas como descuidadas, cenário perfeito para o surgimento de problemas psicossocias, como a depressão.
Destarte, com intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que o Governo, na figura do Ministério da Educação, invista na expansão de nutricionistas nas escolas, associados a projetos de atividade física, dinamicamente nas aulas de educação física, explicitando a busca pela saúde e não pela estética, por meio dos subsídios tributários e da promoção do debate da importância dessa combinação para a uma vida saudável, a fim de atenuar a alienação estética imposta. Além disso, é impreterível que as instituições educativas, em feiras culturais e rodas de conversas, desmistifiquem a ideia de que o sobrepeso é necessariamente uma doença, com o fito de minimizar a gordofobia.