Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 20/08/2021

Gordão, bola, baleia, “é linda, mas é gordinha”… Essas são frases e palavras que permeiam a realidade brasileira, alimentando um grave e, necessariamente, urgente problema a ser debatido no país - gordofobia. Fruto de um padrão estético inalcançável, o preconceito contra pessoas gordas gera um preocupante cenário de aumento de transtornos alimentares e psicológicos nesse grupo, o que reflete uma forte ignorância, por boa parte da sociedade brasileira, no que tange a esse tema.

De fato, o padrão de beleza humano passou por modificações ao longo do tempo, se tornando mais rígido e desumano após a explosão do capitalismo e das redes sociais. A série “Insatiable” da Netflix aborda como tema uma garota adolescente que sofria bullying por ser gorda e sendo assim, buscava a todo custo, a fim de ser aceita, mesmo que de forma não saudável, o emagrecimento. Nesse sentido, fora das telas, é valido perceber que o esteriótipo do corpo magro incentivado pela indústria cultural e alavancado pelas mídias é perceptível e causa basilar para que a gordofobia seja naturalizada e atue como coersão social sobre a vida de indivíduos gordos, que são, inúmeras vezes, oprimidos, discriminados, inferiorizados e desmerecidos por não estarem inseridos no arquétipo capitalizado da beleza. Prova disso são os não raros discursos de ódio lançados contra os corpos das artistas Jojo Todynho e MC Carol, que apesar de muito talentosas e influentes, também são vítimas da terrível opressão causada pela gordofobia.

Frente a essa realidade, nota-se que a gordofobia traz consigo consequências que afetam a saúde física e mental das vítimas desse tipo de violência. De fato, segundo a Revista VEJA Brasil, os transtornos alimentares como a compulsão alimentar e a bulimia, estão presentes em 4,7% da população brasileira e atingem ainda mais as pessoas que sofrem com o preconceito associado ao seu peso. Assim sendo, a gordofobia constitui um ciclo vicioso, que se inicia com os ataques, seguido pela naturalização e finalizado com as marcas deixadas na vida de pessoas gordas e obesas, que ao serem, por vezes, vitimadas e isoladas, procuram maneiras para serem aceitas - diminuindo, em numerosas ocasiões, suas personalidades e histórias - e alcançar um padrão idealizado do corpo belo que nem mesmo os próprios desenvolvedores e agressores conseguem alcançar.

Faz-se necessário, portanto, que a triste próblematica da gordofobia seja discutida com o intuito de ser desnaturalizada. Dessa forma, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, realize cursos e campanhas, em todos os municípios do país, em torno do tema por meio da participação de influenciadores digitais ativistas, pesquisadores, psicólogos e médicos que abordem o problema, a fim de se humanizar as pessoas gordas no Brasil.