Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/08/2021
A Constituição Federal brasileira de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico, prevê, em seu artigo 6°, o direito à segurança como inerente a todo cidadão. Conquanto, tal concesão não tem se manifestado com ênfase na prática quando se observa a discussão sobre a gordofobia. Com efeito, verifica-se a efetivação de um grave problema, em virtude da carência de investimentos e da maléfica influência midiática.
Diante desse cenário, é válido ressaltar a falta de investimentos como promotora desse imbróglio. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimentos no país, somando setores públicos e privados, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Dessa forma, se não é destinado recursos financeiras para a Atenção Pimária à Saúde(APS), os indivíduos que necessitam de atendimentos com psicológicos e com médicos da área metabólica, não poderão usufruir desse direito fundamental e, por consequência de não terem um acompanhamento profissional adequado, sofrem diversas formas de preconceito por a sociedade ter aversão as pessoas gordas e obesas, pois para o meio social, indivíduos que são gordos não são saudáveis, o que não necessariamente é verdade.
Além disso, a negativa influência midiática é um grande impasse para a resolução desse quadro deletério. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, vê-se que a mídia, em vez de promover debates que desestigmatizem a visão associada a pessoas gordas, influencia na permanência do entrave, pois retrata em seus meios de comunicação apenas as pessoas magras , jovens e com o corpos bem definindos, contribuindo para a perpetuação de uma visão negativa acerca do corpo social gordo e, colaborando para o surgimentos de novos casos como o da atriz Cléo Pires, que sofreu diversas formas de discriminação nas redes sociais, após a comunidade achar que ela estava gorda e que aquele não era o biotipo de uma atriz.
Depreende-se, portanto, a necessidade de discutir sobre a gordofobia com a população. Assim, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, destinar verbas para as Unidades básicas de Saúde, a fim de realizar debates, campanhas e palestras nas escolas que tenham o intuito de desestigmatizar a visão gordofóbica do corpo estudantil. É possível também criar uma ‘‘hashtag’’ para as campanhas terem mais visibilidade social. Cabe também a mídia- meio de comunicação de massa- criar propagandas e programas na tv aberta como, por exemplo, o ‘‘Bem-Estar’’, que objetifiquem retificar a visão preconceituosa da comunidade sobre as pessoas gordas. Dessa forma, as pessoas estarão mais próximas de usufruir dos direitos assegurados pela Magna Carta.