Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/08/2021
Ao remontar o histórico dos corpos, vem em destaque a Grécia Antiga, tendo como base a estátua da Vênus pré-histórica, onde ser gordo, principalmente pras mulheres, era sinal de fertilidade. Com o passar do tempo, o renascimento ao trazer de volta esses valores passados, veio uma nova forma de se pensar no mundo, o Humanismo, colocando assim beleza em um padrão muito definido e que perdura até hoje, gerando um preconceito o qual podemos chamar de gordofobia. Assim, urge discutir os impactos dessa opressão em nossa sociedade analisando o viés captalista e o social.
Evidentemente, as mudanças do sistema de consumo tem impactos diretos na maneira que o cidadão pensa a beleza. Dessa forma, Pierre Bourdieu, sociólogo francês, descreve o modo o qual certos processos de imposições de valores culturais se perpetuam e nomeia esse processo de violência simbólica. Nessa óptica, quando olha todo o processo captalista é notório sua busca por um padrão inalcançável de corpo, visto que tal processo só fomenta ainda mais essa indústria que coloca os seres dentro de uma caixa única sem se preocupar com suas individualidades. Logo, a incessante pressão estética do sistema faz que a busca por procedimentos de risco possa ter diversos impactos negativos, como o caso de sequelas para toda a vida.
Outrossim, ao criar-se uma única forma de ver o mundo a sociedade fica estática em um pesamento causando o estranhamento com o diferente. Tendo isso em vista, ao trabalhar a “Garota de Ipanema”, do cantor Antonio Carlos Jobim, fica nítido que essa tão falada mulher, além de ressaltar valores machistas, é na verdade um padrão a ser seguido caso a ouvinte da música queira também ser “cheia de graça”. Nessa visão, a perpetuação desse modo de exclusão à quem não se encaixa na forma estética aceitável faz com que a gordofobia seja implícita na sociedade. Por cúmulo, como trata-se de algo quase imperceptível a sociedade prática esse preconceito muitas vezes sem nem entender do que se trata ou o porquê ela está fazendo aquilo.
Destarte, já que, tal se tornou uma violência simbólica a desconstrução desse pensamento deve ser praticado. Portanto, o Ministério da Saúde, junto com o Ministério das Comunicações, com o fito de não gerar pessoas preconceituosas e doentes, devem lançar uma campanha nas redes sociais - como Instagram, Twitter e Facebook - com a “#corpolivre”, por meio de postagens que ensinem sobre saúde, tal qual o tema: ser magro ou estar no padrão não é sinônimo de estar bem. Diante disso, o governo poderá gerar uma consciência nas pessoas, que são as principais engrenagens do estado, sobre um assunto tão importate e tão impactante na vida delas.