Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/08/2021
Em 2013, organizações médicas internacionais começaram a classificar obesidade como uma doença. Hodiernamente, é também classificada assim pela OMS e a gordofobia se tornou alvo de debate tanto da comunidade médica, quanto da sociedade no geral por afetar de maneira tão agressiva a população brasileira, seja pela presença da cultura do preconceito, seja pelo modo capitalista de funcionar.
Precipuamente, em um país no qual todo tipo de piada era socialmente aceito quando o mais importante era a comicidade, é difícil se livrar de amarras como o preconceito mascarado de humor. Apesar disso, programas humorísticos como o ´´Pânico na TVe o ´´´Custe o Que Custarque não se preocupavam com o bem-estar e a saúde mental fazendo graça envolvendo sobrepeso, obesidade e outros tópicos desagradáveis tiveram fim. Nesse contexto da diferenciação social natural entre humor e escárnio, a gordofobia está perdendo força, mas o preconceito velado, continua agindo mediante comentários ácidos e piadas frequentes.
Posteriormente, a indústria alimentícia e sua influência na saúde do indivíduo impacta de forma direta no excesso dos casos de obesidade em todo o planeta e, consequentemente, no problema da gordofobia. Para o geógrafo brasileiro Milton Santos, a globalização tem um caráter perverso e é baseada na tirania da informação e na tirania do dinheiro, por esse prisma, a prática da indústria alimentícia norte-americana de incentivar o consumo de fast-food é o maior causador dos atuais índices de obesidade, prática essa que migrou para o Brasil em decorrência do mundo globalizado. Dessa forma, com o capitalismo diretamente promovendo a obesidade é improvável que a gordofobia não seja parte da realidade.
Portanto, é preciso de uma reformulação em diversos aspectos para atenuar a presença da gordofobia na sociedade brasileira. Assim, o governo no âmbito federal deve promover hábitos saudáveis na população, por meio de parcerias com empresas do ramo alimentício que fabriquem produtos saudáveis para aumentar a demanda de oferta à população. Ademais, o governo no âmbito municipal e estadual, devem prover educação alimentar de qualidade aos jovens desde os primeiros anos de escola, com a demonstração da importância de uma alimentação saudável, o fornecimento de uma alimentação saudável e o mais importante, ensinar que obesidade é uma doença e que a gordofobia apenas agrava essa doença, para que na medida em que novos casos de obesidade virão a ser evitados, a prática da gordofobia irá diminuindo.