Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 20/08/2021

Fruto de um histórico de concepções distorcidas, a gordofobia em no Brasil, demonstra a gênese de uma sociedade que se despe de valores de igualdade. Dessa forma, esse panorama perturbador demonstra a inexpressividade do Poder Público quanto frente ao crescente número de casos de gordofobia, bem como destaca a negligência de algumas instituições formadoras de opinião durante a construção de uma mentalidade social que valorize o respeito.

Com efeito, é válido pontuar que para John Locke, defensor do Contrato Social, é dever do Estado garantir os direitos fundamentais de uma sociedade. Entretanto, mesmo que, em teoria, as virtudes como educação e saúde de qualidade que respeitem sua peculiar condição de excesso de peso, sejam asseguradas pela da Constituição Federal de 1988, não é unânime e diversos indivíduos são colocados à margem dessa realidade. Nesse prisma, o governo, que além de não oferecer um suporte adequado para essa parte da população, ainda assume uma postura capitalista, propagando prazer no consumo desenfreado de alimentos calóricos, o que só aumenta o índice de obesidade do país, no qual corrobora para o não cumprimento dos direitos supracitados.

Outrossim, é pertinente salientar que, por a obesidade ser uma doença, ela deve ser tratada como tal e, dessa maneira, criar um planejamento adequado para mitigar o crescente número de casos. Entretanto, a sociedade em geral, utiliza-se de um discurso “saudável” para justificar a gordofobia, sobretudo em crianças, que em sua maioria são segregadas das outras pelas instituições de ensino, o que não é coincidência que crianças que possuem obesidade tenham quatro vezes mais chances de ter depressão, segundo uma pesquisa realizada em São Paulo no ano de 2019. Nesse viés, o modo de tratamento perante esses indivíduos, demonstram a falta de alteridade entre os cidadãos brasileiros, o que defronta o pensamento de Levinas, no qual o filósofo contemporâneo enfatiza que a preocupação com o outro deve fazer parte da lógica cotidiana.

Portanto, fica exposto que a desconstrução de valores é edificada sob à égide do desrespeito e da desigualdade. Logo, urge ao governo, a utilização de recursos midiáticos como meio de propagação de uma vida mais saudável, como forma de mitigar o crescente números de casos, um auxílio digno para os que já são obesos, para que possam frequentar os ambientes públicos com a melhoria nos meios de transporte, através de investimentos e parcerias com as empresas automobilistas. Ademais, por parte das instituições de ensino, oferecer um suporte para as crianças obesas, com o objetivo de combater a segregação, para diminuir o alto índice de doenças psicológicas nesses jovens. Assim, poder-se-á garantir o contrato defendido por Locke, como também, alcançar o altruísmo de Levinas.