Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 20/08/2021

Dumplin (2018) é uma premiada produção cinematográfica norte-americana dirigida por Anne Fletcher e escrita por Kristin Hahn que retrata a história de Willowdean Dickson uma jovem acima do peso e bastante confiante com o próprio corpo, apesar de não ter o respeito de sua mãe, uma ex-miss. Fora da ficção, na ausência de uma lei que regule esse tipo de preconceito e com a constante presença de stand-ups, programas de TV e filmes em que pessoas acima do peso viram alvo de chacota, a gordofobia tem aumentado na atual sociedade. Dessa forma, tal paradigma reflete o cenário desafiador no País, seja pela imposição de um padrão de beleza, seja pela falta de apoio social.

Primeiramente, enquanto injúria racial e violência contra a mulher são consideradas crime no Brasil, o preconceito com pessoas gordas não apenas passa batido como é até encorajado por órgãos de saúde pública e campanhas de publicidade, especialmente durante o verão, quando os corpos estão mais à mostra. Nesse sentido, o corpo perfeito está na moda e os debates presentes na televisão e comerciais, matérias publicadas em revistas, jornais, internet, bem como outros meios de comunicação, sempre destacam a dieta, a forma perfeita, os medos da gordura e como não engordar e ter um corpo perfeito, causando depressão, crise do pânico ou crise de ansiedade nessa parcela da sociedade.

Outrossim, além das doenças associadas à obesidade, como o diabetes e a hipertensão, essas pessoas enfrentam grave estigma social. Consoante, o periódico científico publicado pela Nature Medicine, constatou que o preconceito contra a obesidade compromete a saúde, dificulta o acesso de pessoas acima do peso ao mercado de trabalho e a tratamentos adequados, afeta suas relações sociais e a saúde mental. No Brasil, o sobrepeso virou critério de seleção em concursos públicos e se transformou em nota de corte no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, muitas pessoas desenvolvem um sentimento de rejeição pela obesidade mais pelos aspectos estéticos e comportamentais do que pelo risco médico.

Infere-se, portanto,  que são inuméros os desafios da população sobrepeso em relação ao paradigma estético negativo imposto pela sociedade. Destarte, cabe ao Ministério da Educação, criar um plano educacional que vise combater a intolerância mediante os padrões de beleza impostos, tal projeto deve ser instrumentalizado tendo em vista o incentivo de alunos a programas educacionais e rodas de debates, com a promoção de palestras e aulas práticas sobre supervalorização da estética, mediadas por psicólogos e professores da área, a fim de promover a  valorização social.