Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/08/2021
Na conjuntura atual da sociedade brasileira, tem-se debatido bastante a respeito dos padrões estéticos estabelecidos e o preconceito gerado por eles. Esta discriminação ocorre não só pela propagação midiática de estereótipos “ideais”, mas também pela manutenção histórica de tal preconceito na sociedade.
A princípio vale salientar que a obra “Homem Vitruviano”, do renascentista Leonardo da Vinci, retrata como o corpo humano é idealizado desde tempos remotos. Nessa perspectiva, é possível notar, hodiernamente, uma ressignificação do corpo que remete somente à estética, fato este que gera comportamentos exagerados, como o culto ao corpo padrão e o preconceito com o excesso de peso: gordofobia. Sendo assim, é notório que o culto ao padrão estético é um grande influenciador que agrava o entrave.
Ademais, cabe mencionar a filósofa Hannah Arendt, que em sua teoria da “banalidade do mal”, defende que o comportamento xenófobo ou preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado à constante discriminação para com as pessoas gordas, tendo em vista que é perceptível que o preconceito com quem está acima do peso existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que tal preconceito foi (e ainda o é) transmitido por gerações, o que evidencia a banalização da gordofobia.
Mediante o exposto analisado, torna-se imprescindível que o empecilho a respeito do preconceito com pessoas obesas seja resolvido. Para tanto, cabe ao MEC, órgão responsável pela educação do país, promover palestras com especialistas do tema, utilizando de bases históricas e exemplos reais de como a gordofobia afeta a vida de pessoas na sociedade, tendo em vista que a escola é a base da socialização, com o objetivo de aperceber os mais jovens desde cedo sobre a nocividade de propagar tal preconceito.