Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 02/09/2021

De acordo com o escritor Nick Couldry em sua obra “Porque a voz importa?” ele relata que um dos principais problemas no mundo é a desigualdade da fala, assim, aqueles que não tem meios para se expressarem ficam fadados a invisibilidade. De modo análogo, hodiernamente, os indivíduos que possuem obesidade são relegados a inexistência, uma vez que são excluídos e submetidos a zombaria e escárnio no corpo social. Nesse contexto, é imprescindível uma ação mais contundente da sociedade civil e do sistema educacional, com o objetivo de disponibilizar a esse grupo igualdade e respeito.

De início, vale ressaltar a influência do sistema capitalista vigente e sua relação com a gordofobia. Nessa linha de raciocínio, segundo a perspectiva filosófica de Karl Marx, em um mundo capitalista a busca pelo lucro vale mais do que valores morais e éticos. Com base nisso, os setores industriais criam padrões para vender seus produtos e obter lucros, utilizam-se de modelos com corpos magros, definidos e com numeração de roupas inacessíveis a pessoas de maior peso. No entanto, as pessoas que não estão dentro dos padrões corpóreos de beleza criados pelo capitalismo são excluídas do meio social, acarretando o preconceito ao diferente. Dessa forma, vê-se a necessidade de abolir com os padrões de corpo ideal, para que na sociedade a gordofobia seja mitigada.

Outrossim, importa discutir a falta de engajamento educacional na luta contra a gordofobia. Nesse viés, cabe mencionar o que propõe o filósofo Pitágoras, o qual assevera, que “Eduque as crianças e não será necessário castigar os homens”. Interpreta-se, assim, que as escolas não debatem a gordofobia e  isso leva as crianças a crescerem normalizando comportamentos preconceituosos, criando padrões de beleza. Entretanto, pela falta de incentivo educacional de combate a gordofobia, a escola acaba contribuindo negativamente para a construção de estigmas a pessoas obesas. Logo, a escola como mediadora da educação, deve ensinar as crianças, desde as séries iniciais, a importância de respeitar o próximo, para que no futuro a sociedade possa ser livre de estereótipos as pessoas com sobrepeso.

Diante do exposto, medidas são necessárias para mitigar a gordofobia no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação em parceria com mídias sociais, devem, juntos, realizar um projeto que ensine os alunos dos país a respeitar as diferenças desde à infância, por meio de vídeos educativos, brincadeiras e aulas dinâmicas. Tal ação terá o intuito de formar futuros adultos com empatia ao próximo, priorizando o respeito nas relações sociais, além de construir futuros empreendedores que produzem para todos os públicos, sem rejeição a pessoas com sobre-peso, diminuindo, então, um mercado capitalista que segrega pessoas. Sendo assim, poder-se-á garantir a visibilidade de todas as pessoas e um país longe de padrões sociais.