Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 29/08/2021
A série de revistas em quadrinhos “Turma da Mônica” é protagonizada por uma menina de 8 anos que sofre ataques constantes de bullying por estar acima do peso. Fora da ficcção, a gordofobia é um impasse que permanece presente na sociedade brasileira e traz graves consequências psicológicas. Assim, faz-se mister solucionar essa problemática através da modificação de comportamentos preconceituosos.
Antes de tudo, é preciso observar a relação entre a gordofobia e as doenças psicológicas. Nesse sentido, uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) apontou que cerca de 42% dos adultos obesos sofrem com a discriminação. Tais atitudes discriminatórias podem envolver segregação social, bullying, inferiorização, entre outras ações que contribuem diretamente para o surgimento de doenças, como ansiedade e depressão, afetando o bem-estar mental.
Outrossim, é válido ressaltar o convívio social como impulsionador do preconceito contra pessoas gordas. Sob essa perspectiva, o sociólogo Émile Durckheim define o fato social como uma maneira coletiva de pensar, dotada de exterioridade, coercitividade e generalidade. Nesse contexto, a gordofobia se encaixa na teoria do autor, uma vez que, se uma criança cresce em uma família na qual a inferiorização das pessoas com sobrepeso é algo comum, esse indivíduo em formação tende a reproduzir tais atitudes na vida adulta, propagando estigmas na sociedade.
Portanto, medidas são necessárias para reverter o quadro atual. Para tal, é dever do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, promover ações educativas nas escolas. Tais atividades devem ocorrer por meio de palestras direcionadas aos pais e alunos, com o intuito de explicar as consequências da gordofobia e erradicar atitudes preconceituosas nas famílias. Dessa forma, estigmas referentes ao sobrepeso, bem como ataques gordofóbicos serão mitigados no Brasil, limitando a história de Mônica ao universo literário nacional.