Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 21/08/2021

A Constituição federal de 1988, prevê em seu artigo 6°, o direito á saúde e segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal direito não tem se manifestado com ênfase na prática quando se observa os desafios para o enfrentamento da obesidade no Brasil, dificultando, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise sob dois aspectos: negligência estatal sobre o crescente índice de obesidade e o descaso em medidas preventivas contra o preconceito presenciado por pessoas em sobrepeso.

Diante desse cenário, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a obesidade. Nesse sentido, interesses econômicos devem ser ressaltados. Nessa ótica, segundo, Karl Marx, as ideias dominantes são reflexos dos interesses das classes privilegiadas, impostas por empresários do setor alimentício insalubre, que lucram com a venda de produtos que agravam o sobrepeso. Sendo assim, o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, por não abdicar a influência de fortes propagandas que vinculam a felicidade ao consumo dessas comidas.

Ademais, é fundamental apontar o preconceito como impulsionador da obesidade. Segundo um periódico científico publicado pela Nature Medicine, aponta que entre os adultos obesos, cerca de 19% a 42% sofrem com a discriminação. Diante de tal exposto, é necessário refletir sobre o bem-estar mental. A gordofobia está associada a sintomas depressivos. Sendo que esses atos de intolerância estão ligados ao aumento da ingestão de comida, ao abandono de atividade física, a dietas não saudáveis e ao ganho de gordura ao longo do tempo. Logo, é inaceitável que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esse obstáculo. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, em consonância com as ONGs, deve promover palestras e campanhas socioeducativas que instiguem as crianças e as famílias a adotarem uma boa educação alimentar, por intermédio das escolas, com o propósito de prevenir uma futura obesidade e as suas consequências. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério do Esporte, assegurar o acesso facilitado às atividades físicas, por meio dos centros esportivos, com o fito de estimular os indivíduos a buscarem-nas. Dessa maneira, a obesidade será enfrentada e os indivíduos viverão mais saudáveis.