Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 27/08/2021
‘‘O Inferno São os Outros’’. A afirmação, atribuída ao filósofo françes Jean-Paul Sartre, simboliza claramente o papel da sociedade em estereotipar e depreciar a moral e o bem-estar dos indivíduos à sua volta. Nesse sentido, a análise do pensador associa-se ao debate sobre a gordofobia no Brasil, já que o preconceito e a comodididade estatal acentuam essa situação degradante no país. Dessa forma, o papel segregador da mídia e a escassez de políticas governamentais são entraves a serem debatidos e mitigados para atenuar essa problemática na conjuntura nacional.
Em primeiro lugar, é evidente que a gordofobia é acentuada pela atuação dos meios de comunicação em massa na construção de um padrão corporal na sociedade brasileira. Segundo o filósofo Theodor Adorno, a Industria Cultural atua sobre os indivíduos receptores de seus conteúdos de forma persuasiva e ilusória, o que cria um gosto padronizado que pode ser levado para o convívio em comunidade. Nesse viés, a tese de Adorno explica esse entrave relacionado ao estereótipo sobre os corpos, uma vez que a construção de um físico ideal, magro e definido nos meios de comunicação faz com que muitos indivíduos com elevada massa corpórea sintam-se menosprezados, além de acentuar a discrimanação com essa parcela social. Logo, isso acentua tal problemática no panororama brasileiro.
Em segundo lugar, cabe ressaltar que a falta de mecanismos estatais no combate ao preconceito com pessoas acima do peso perpetua tal modalidade discriminatória. Embora a Constituição Federal de 1988 assegure que é dever do Estado promover a segurança e o bem-estar social de qualquer cidadão, tal afirmação não é notória na prática. Isso porque, a falta de uma instituição específica para a recepção de denúncias e para a penalização de infratores que realizam práticas discriminatórias e ofensivas contra pessoas consideradas gordas ocasiona a manutenção desse preconceito. Sendo assim, torna-se necessário a atuação governamental para atenuar a gordofobia em escala nacional.
Portanto, infere-se que políticas inclusivas e instituicionais são necessárias para mitigar essa problemática no país. Desse modo, o Governo Federal deverá criar um projeto para para incluir as variedades dos corpos humanos em propagandas e programas midiáticos, por meio de incentivos financeiros e a insenção de impostos para as empresas praticantes, com a finalidade de atenuar a padronização estrita dos meios de comunicação e universalizar os variados tipos corpoais. Ademais, cabe também ao Governo Federal criar uma instituição de combate ao preconceito contra essa parcela social, por meio de agentes policiais e centrais de denúncias, com o intuito de penalizar infratores e mitigar a passividade perante à essa situaçao. Por fim, tais medidas mitigarão a problemática no Brasil.