Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 25/08/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas ao seu comportamento egoísta e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange a questão da gordofobia no Brasil. Nesse contexto, evidencia como causas a má influência midiática e as questões socioculturais.
A princípio, a má influência midiática caracteriza-se como um complexo dificultor. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, não pode ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, uma vez que, traz a imagem de beleza relacionada ao corpo magro, tornando-o padrão, e com isso, fazendo com que as pessoas entrem em “guerra” com a balança.
Além disso, outra dificuldade encontrada é a questão da lenta mudança na mentalidade da sociedade. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nesse sentido, a gordofobia é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, visto que, se as pessoas crescem em um contexto social opressor, onde prediz que o corpo gordo é sinônimo de falta de saúde, ao invés de entender que a obesidade (caracterizada como doença) é resultado da compulsão alimentar gerada pela ansiedade e depressão, que é causada pela discriminação, a tendência é adotar o mesmo pensamento.
Convém, portanto, que medidas sejam tomadas. Assim, influenciadores e youtubers, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a questão da padronização da beleza, auxiliando na conscientização popular sobre o combate à gordofobia. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem as reais condições da questão, com relatos de pessoas que vivenciam tal problema. Dessa forma, o Brasil poderá superar a gordofobia.