Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 26/08/2021
Segundo o “Narcisismo das Pequenas Diferenças” de Freud, o menosprezo pelo diferente provém do senso de superiodidade de um indivíduo em relação a outro. Hordienamente, no Brasil, isso manifesta-se na prática da gordofobia, uma realidade lastimável na vida de pessoas acima do peso. Nesse contexto, torna-se evidente a necessidade de combater a negligência midiática e o preconceito da sociedade.
Em primeira análise, vale analisar o modo como as redes sociais usam o peso corporal para conceituar a beleza. Na Grécia Antiga, o corpo magro e com definição muscular significavam racionalidade e moderação dos hábitos, enquanto que um corpo “farto” representava uma entrega sem controle às paixões humanas. Nos dias de hoje, a mídia perpetua essa tradição, à medida que propaga a admiração por corpos “fitness” e magros como padrão de saúde; deixando clara a associação com uma vida equilibrada, sem excessos. Logo, limitando o conceito de saúde.
Outrossim, há uma compreensão deturpada da sociedade em aceitar outras formas corporais, como o corpo gordo. Segundo Pierre Bordieu, em seu conceito de “violência simbólica”, a sociedade aceita as imposições de um segmento social hegemônico, causando a legitimação da violação de direitos. Nesse caso, o preconceito parte da aceitação natural das pessoas em adotar um padrão corporal, reproduzindo a discriminção por meio da aversão à pessoas com sobrepeso e obesas, associando-as ao desleixo e à falta de “amor próprio”. Isso também é imposto pelas redes sociais.
Portanto, é primordial combater essa forma de discriminação na sociedade brasileira. Assim, o Ministério da Saúde, em parceria com as redes sociais, deve viabilizar o debate crítico associado ao amplo conceito de saúde, que vai além do peso, por meio de publicações claras e objetivas de conscientização, afim de desassociar a pessoa gorda da imagem de um corpo sem beleza e doente. Ademais, é dever do Estado fazer a inclusão social desse grupo, para garantir o convívio social nos espaços que são estritamente para magros, como os acentos em transportes públicos.