Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 28/08/2021
As “vênus pré-históricas” são estatuetas feitas no período paleolítico superior, na qual representam corpos gordos como padrão estético de alto prestígio na época. Nessa perspectiva, verifica-se uma variância ao longo do tempo no que se refere ao modelo de corpo visto como “belo”, e atualmente, mesmo com o avanço da medicina, ainda a estigmatizam como ciência exata inversamente proporcional ao peso. Logo, torna-se necessário analisar os motivos e os aspectos dessa problemática, bem como engendrar mecanismos para minimizá-la.
Em primeiro plano é importante destacar a Medicina como uma ciência relativa. Sob essa ótica, evidencia-se os conhecimentos científicos provando que cada ser humano dispõe de uma singularidade metabólica de acordo com sua genética, atividades que pratica, e seu psicológico. Nesse sentido, tais elementos funcionam juntos e de uma forma única em todo individuo, os quais deveriam ter acesso às suas próprias características e particularidades, além do mínimo de orientação profissional, com o fito de fomentar consciência corporal e mental em cada cidadão. Segundo o artigo 196 da Constituição, os métodos para promover saúde e bem estar são assegurados, entretanto, inaceitavelmente não são postos em prática.
Oberva-se por conseguinte, as redes sociais como instrumento eficaz de manipulação. Nesse viés, constata-se que os usuários são cercados por informações e conteúdos, induzindo-os a pensarem e se comportarem da forma mais lucrativa possível, normalizando procedimentos invasivos e produtos, com o intuito de alcançar um padrão corporal que não é garantia de saúde, mas de admiração dentro de uma realidade virtual deturpada. Para entender tal apontamento é lícito referenciar o filósofo alemão Herbert Marcuse, na qual afirma que a publicidade dentro de uma regra mercadológica capitalista gera falsas necessidade e dita o que as pessoas devem comprar e pensar. Assim, infere-se que esse panorama lastimável exige uma atenuação.
Urge, portanto, a criação de um projeto de saúde coletiva, por meio do Ministério da saúde, na qual atendimentos e palestras de nutricionistas, psicólogos e médicos serão disponibilizados de acordo com a demanda em postos de saúde, e trabalharão sempre em comunicação das condições de cada paciente, com o objetivo de oferecer uma orientação pertinente e desmistificada de autocuidado. Ademais, o Ministério público, através da mídia, deve promover engajamentos persuasivos e ficcionais, esclarecendo as dúvidas mais recorrentes sobre como ter uma vida saudável, com o propósito de informações relevantes serem cada vez mais compartilhadas. Feito isso, o estigma associado ao excesso de peso será erradicado.