Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 01/09/2021

A Escola de Frankfurt, instituição alemã, após a Segunda Guerra Mundial, começou a estudar a influência negativa do capitalismo na sociedade e criou o conceito de “Cultura de Massa”. Tal vertente econômica, com o intuito de homogeneizar os indivíduos para obter mais lucros, formou gostos e estéticas ideais, transformando-os em padrões sociais. Todavia, no Brasil, muitas destas idealizações serviram como pretexto para o surgimento de preconceitos, como a gordofobia, com julgamentos a pessoas com corpos fora do que foi considerado correto. Nesse viés, cabe analisar que essa discriminação é conjuntural e normalizada, o que dificulta sua resolução.

Nesse contexto, é importante pontuar que esse impasse é institucional, ou seja, influenciado não só pela população, mas também por instituições sociais, como a mídia. Sob essa ótica, Michel Foucault, filósofo francês, em sua obra “Microfísica do Poder”, dissertou sobre o poderio que coisas do cotidiano exercem sob os indivíduos, a fim de moldá-los. Nessa perspectiva, os veículos midiáticos corroboram a tese do autor ao propagarem padrões estéticos tidos como ideais, como corpos magros, em detrimento de outras formas físicas, o que acaba gerando um preconceito conjuntural nas pessoas que, através da gordofobia, atacam quem está fora desse padrão corporal. Assim, enquanto fontes de influência perpetuarem tal pensamento, essa discriminação permanecerá.

Ademais, é necessário ressaltar que a maioria dos comentários de cunho gordofóbico são normalizados e vistos como conselhos por quem os fazem. A esse princípio, Hannah Arendt, filósofa alemã, relaciona esse fenômeno de normalização a seu conceito de “Banalidade do Mal”, haja vista que inúmeras situações prejudiciais são banalizadas por serem colocadas como comuns. Nesse sentido, é incoerente que a gordofobia seja naturalizada, pois é extremamente danosa à autoestima e à saúde mental de quem escuta críticas disfarçadas de dicas, destiladas por pessoas preconceituosas. Logo, enquanto discursos e atitudes discriminatórias forem vistas como normais, esse problema não será resolvido e as vítimas continuarão prejudicadas.

Portanto, é notório que a gordofobia é um entrave que deve ser debatido e solucionado. Para isso, urge que o Poder Legislativo auxilie na diminuição da propagação de injúrias gordofóbicas, por meio da criminalização deste preconceito em específico, para que as pessoas com corpo fora do padrão social tenham a lei para se defender. Além disso, a mídia, importante fonte de poder, deve assumir seu papel de influência e desconstruir parâmetros estéticos, prejudiciais ao desenvolvimento da sociedade. Desse modo, a gordofobia regredirá e corpos de todas as formas serão naturalizados, solucionando esse árduo impasse.