Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 04/09/2021
O psicanalista Antonio Quinet, em sua obra “ Um olhar a mais”, defende que a sociedade é medida por olhares. Sob essa ótica, o olhar discriminatório sobre aqueles que estão acima do peso pode afetar a vida de muitas pessoas corpulentas. Nesse contexto, o preconceito e a influência nas mídias são fatores que potencializam a gordofobia. São prementes, pois, debates sobre as motivações e efeitos sociais dessa grave chaga social, em nome da integridade dos indivíduos que sofrem com a obesidade.
Cabe pontuar, em análise inicial, que o preconceito fomenta a gordofobia. Sob esse prisma, na novela brasileira “Carrossel”, a personagem Laura sofre com diversos comentários preconceituosos e, consequentemente, perde o apetite. Nesse sentido, o julgamento de corpos gordos e apelidos como : baleia, bolota, entre outros, afetam diretamente na vida de pessoas com obesidade, visto que tais atitudes criam uma comparação ao padrão de beleza, já que pessoas com corpos magros não são discriminadas. Ademais, os estigmas recaídos sobre pessoas acima do peso, como associar a obesidade a gulodice ou sedentarismo, cimenta uma imagem que os obesos não têm atitudes para mudarem seus corpos, entretanto, a obesidade também pode ser genética. Desse modo, em razão dessa discriminação, muitos podem desenvolver distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia, os quais afetam significativamente a saúde da pessoa.
Outrossim é notória a ligação entre a gordofobia e a mídias. Nesse contexto, na série “Insatiable” a personagem principal recebe diversos comentários maldosos sobre sua aparência, e após ter uma mudança radical em seu corpo, todos começam a elogiá-la. Nesse viés, a mídia promove padrões inalcançáveis de beleza, ou seja, a atriz precisa seguir com todos os padrões impostos no roteiro para alcançar o papel, e infelizmente, corpos gordos não tem tanta visibilidade, pois são vistos como corpos feios. Ademais, a indústria do vestuário dificulta o acesso de pessoas acima do peso às tendências da moda, pois o valor das roupas “plus size” é mais alto e não existe muita variedade. Posto isso, essa interferência maléfica da mídia é capaz de provocar transtornos psíquicos, como ansiedade e depressão, em virtude, principalmente da redução da autoestima, pelo sentimento de frustração por não conseguir alcançar os modelos de beleza disseminados nos aparelhos midiáticos.
Infere-se, portanto, que o preconceito e a influência midiática potencializam a gordofobia. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas educativas nas redes sociais, por meio de palestras on-line, sobre a importância da aceitação de corpos gordos e alertar os riscos de comentários preconceituosos, com o fito de diminuir o índice de problemas mentais e físicos causados pela descriminação e padrões de beleza impostos pela sociedade.