Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 29/08/2021

São Tomás de Aquino defende que as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a incidência de episódios de gordofobia na contemporaneidade contraria o ponto de vista do autor, uma vez que, no Brasil, esse grupo está cada vez mais sendo vítima de discriminação, devido à massificação da ideologia de corpos ideais. Nessa perspectiva, torna-se evidente que a concretude desse problema vem em virtude da má influência midiática e pela impunidade vertente na questão.

Convém ressaltar, a princípio, que a influência negativa da mídia é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com estudos sobre à racionalidade, Adorno e Horkheimer criaram o termo “Indústria Cultural”, para se referir à arte na era capitalista, dado que essa perde seu caráter crítico tornando-se mais um instrumento de dominação das massas, ao impor comportamentos e criar desejos em que não haveria necessidade. Nesse contexto, nota-se que atitudes gordofóbicas são permeadas pela alienação promovida pela mídia, que a partir da divulgação dos produtos dessa indústria, como os desfiles anuais da Victoria’s Secret, veiculam à manifestação de corpos modelo e magros considerados ideais e desejáveis, consequentemente ditam o modismo do que é belo, legitimando atos de preconceito contra essas pessoas, ao passo que o que é propagado torna-se o aceitável e o diferente deve ser julgado.

Outrossim, a impunidade frente as práticas preconceituosas contra às pessoas gordas agrava ainda mais a situação. Sob essa óptica, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, a generalização do corpo perfeito abre margem para aversão a corpos “fora dos padrões”, visto que os episódios de gordofobia estão ainda mais abrangentes com o uso da internet e das redes sociais, como o caso da influencer digital Luiza Parente, que tem seu corpo diariamente apedrejado e diminuído por perfis “fakes”, só por ela está “acima do peso”, realidade essa que corrobora com o sentimento de insegurança e injustiça gerada pela visão intolerante dos gordofóbicos.

É indubtável, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, o Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde, devem realizar juntos uma ação dupla de punição e de atendimento psicológico aos agressores e às vítimas. Equanto este se daria em postos de saúde por meio do acompanhamento de um profissional especializado em tratamento pós trauma para as vítimas de gordofobia, aquele aconteceria por meio da agilização dos processos já abertos, a fim de garantir que o cenário de impunidade seja modificado e a visão de São Tomás de Aquino seja alcançada.