Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 01/09/2021
De acordo com estudos científicos da instituição “Nature Medicine”, entre adultos obesos, de 19 a 42% sofrem com discriminação por serem gordos, e ainda complementa que as taxas são ainda maiores entre mulheres. Esses números, mostram a presença da gordofobia no Brasil, que para muitas pessoas trata-se de um assunto banal. No entanto, a consequência desse preconceito é a diminuição da autoestima da vítima, e a busca incansável por um corpo padronizado socialmente.
A princípio, Banalidade do Mal, de acordo com a filósofa Hanna Arent, é quando uma ação negativa é vista como banal, simplesmente, por ter acontecido inúmeras vezes. Para a escritora, um ato rotineiro, se repetido intensamente e sem interrupção, torna-se costume. Nesse sentido, apelidos como gordinho e montanha são vistos e utilizados comumente de tanto repetirem, e as pessoas pensam que não tem impacto emocional na vida do indivíduo apelidado. No entanto, essa vítima da gordofobia tem sua autoestima abalada pela forma como é tratada, podem se sentir diferente dos demais e, de tantos apelidos que lhe deram, são capaz de não frequentar certos locais - onde não são bem tratadas - e isolar-se socialmente, de tal maneira que um apelido pode evoluir para um disturbio social.
Ademais, o “Habbitus”, de acordo com o pensador Pierre Bordieu, é a interiorização do meio e, posteriormente, a exteriorização do interior, Para o escritor, o indivíduo irá absorver o que tiver a sua volta e, futuramente, colocará em prática o aprendizado. Nesse contexto, a sociedade juntamente com canais midiáticos construíram padrões de beleza - ser magro é um exemplo -, os quais influenciam a maioria das pessoas, que absorvem o meio e são moldadas com o pensamento de que aquele corpo é o ideal, de tal maneira que o indíviduo acima do peso verá seu próprio corpo com preconceito e praticará gordofobia consigo mesmo, e seu único objeto será buscar incansavelmente o molde de beleza que lhe foi proposto. Como consequência disso, o indivíduo pode se frustar por não alcançar a “magreza” e desenvolver ansiedade e até depressão por não estarem no padrão. Além disso, é capaz de esquecer o conceito de saúde, e pensarem que quanto mais magro melhor, podendo, possívelmente, desenvolver disturbios alimentares como anorexia.
É evidente, portanto, que há consequências para gordofobia. Logo, é preciso que a educação escolar e familiar orientem seus membros a respeito dos apelidos usados contra pessoas gordas e que ser magro não é o principal objetivo de vida, atráves de conversas e debates casuais entre seus colegas e amigos, os quais poderão contar como se sentem a respeito dos tratamentos que recebem, e possam discutir o conceito da verdadeira saúde. Tudo isso, para que evite a diminuição da autoestima das vítimas da gordofobia, e que elas não desenvolvam doenças como anorexia, depressão e ansiedade.