Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 04/09/2021
Observa-se a gordofobia no Brasil funcionando conforme a Lei da Inércia, a qual diz que todo corpo tende a permancer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele. Nessa perspectiva, nota-se como consequência da globalização, a criação de um padrão estético que extrapola o natural e, com isso, há a naturalização de preconceitos, os quais perpetuam a problemática em questão e mantêm a inércia das perseguições gordofóbicas no país.
A princípio, pode-se afirmar que o capitalismo e a globalização contribuiram para a criação de um padrão de beleza inatingível. Isso acontece, uma vez que, de acordo com os filósofos Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural prioriza produtos e mercados em detrimento de valores humanos fundamentais. Dessa forma, a sociedade não desenvolve uma consciência autônoma e, por conseguinte, padrões de corpos, cortes de cabelos e estilos, por exemplo, são idealizados. Assim, conforme o periódico Nature Medicine, cerca de 40% das pessoas acima do seu peso ideal sofrem preconceito, evidenciando o fato de que pessoas com características fora desses padrões, criados pela Indústria e disseminados com a globalização, são alvos de discriminação.
Outrossim, vale considerar tal cenário na construção de uma sociedade preconceituosa. Tal fato se dá, segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria Habitus, já que as estruturas sociais são formadas nos primórdios da socialização, fazendo com que comportamentos sejam naturalizados e incorporados pelas gerações. Dessa maneira, a visão europeizada luterana, durante a colonização brasileira, acabou por desmerecer as idiossicrasias do povo nativo, o que quase dizimou a cultura indígena no Brasil e acarretou em consequências mesmo na pós-modernidade. Na contemporaneidade, o contato com o que não faz parte do padrão esperado promove a exclusão das minorias e a perpetuação de preconceitos, dentre eles, a gordofobia, o que é deveras preocupante, visto que 50% da população brasileira tem sobrepeso, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologistas.
Destarte, é imprescindível que, para solucionar o impasse da gordofobia no Brasil, o Ministério da Cidadania, em consonância às Prefeituras, promovam a realização de palestras em associações de bairro, ministradas por médicos, psicólogos e nutricionistas, a fim de orientar os brasileiros a importância da saúde, quando comparada aos padrões de beleza, para que o brasileiro valorize primordialmente o corpo saudável, seja ele gordo, seje ele magro. Sendo, portanto, a diligência social a força capaz de mudar o rumo da questão: da existência para a extinção.