Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 03/09/2021

O filme estadunidense “The Duff” retrata a vida escolar de um grupo de três amigas: Jess, Casey e Bianca, sendo as duas primeiras consideradas populares e bonitas e a outra, a duff – desajeitada, útil, feia e fofa – excluída e rejeitada pela massa escolar e vítima de diversas ofensas, principalmente por não ser tão magra quanto suas amigas. Não distante da cinematografia, a realidade de Bianca se assemelha ao cotidiano de diversos indivíduos na sociedade brasileira, que são, constantemente, excluídos das relações sociais e vítimas de gordofobia por não se enquadrarem nos padrões de beleza impostos. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a má influência midiática e a sensação de superioridade.

Dessa forma, em primeira análise, a irresponsabilidade da mídia é um desafio presente no problema. Conforme afirma Bourdieu, a mídia foi criada para a democracia e não para a opressão. Entretanto, ela tem se mostrado opressora quanto à prática recorrente de gordofobia existente no Brasil, visto que, ao incentivar a compra de remédios e instrumentos que favoreçam o emagrecimento, juntamente à exposição exclusiva de determinados tipos – quase utópicos – de corpo, esta passa a fomentar a ideia de que as demais estruturas corporais não retratadas por ela são erradas. Assim, é necessária uma postura mais democraticamente responsável da mídia para superar a questão.

Em paralelo, o preconceito é um entrave no que tange ao problema. Grada Kilomba explica que “a linguagem também é transporte de violência”. De fato, discursos violentos são comuns quanto à gordofobia existente no cenário brasileiro, já que, ao crerem que estão em uma posição correta de diminuir alguém que enxergam como errado, tirando proveito da disseminação dessa ideia para se aproveitar das fraquezas do outro e de sua própria força – pois, ao estar cercado de apoiadores, o indivíduo se vê como invencível – o bullying torna-se uma prática aceita e recorrente. Sendo assim, esses discursos precisam ser revistos e novas narrativas construídas. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.

Para isso, a Netflix deve criar um documentário que retrate a gordofobia e o bullying disseminado nas escolas, bem como suas influências na saúde física e mental das vítimas, a fim de reverter a sensação de superioridade que impera. Tal ação pode, ainda, contar com a contribuição de palestras escolares que incentivem as denúncias desse tipo de situação. Paralelamente, é preciso intervir sobre a má influência midiática presente no problema. Consequentemente, menos indivíduos como Bianca estarão sujeitos a um ambiente tóxico e exclusivo que não respeite as diferenças.