Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 04/09/2021
No filme “dumpling”, da plataforma Netflix, a protagonista, Will, não é vista como capaz de vencer um concurso de Miss por ser uma pessoa acima do peso. Analogamente, na atualidade, muitas pessoas estão sujeitas à mesma situação de Will, por não pertencerem ao estereótipo imposto pela sociedade. Nesse viés, pessoas com sobrepeso são vítimas de gordofobia, ao sofrerem preconceitos e estarem expostas à influência midiática em busca do “corpo perfeito”, magro. Posto isso, são prementes debates sobre essa problemática, em prol do bom convívio da sociedade.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que o preconceito voltado para pessoas gordas no corpo social potencializa a gordofobia. Nesse sentido, a cantora Camila Cabello, foi vítima de comentários gordofóbicos após viralizarem fotos em que a cantora parecia estar acima do peso. Dito isso, a comparação de seu corpo com outras celebridades, ou até mesmo ao seu próprio corpo antigamente, reforçam o preconceito voltado à pessoas obesas. Ademais, os julgamentos e presunções de causas para a obesidade, como excesso de comida ou sedentarismo, ignoram o fato de que o uso de remédios, como antidepressivos, e a própria genética, são também motivadores do aumento da massa corpórea. Por conseguinte, em razão dessa discriminação, muitos podem desenvolver distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia, os quais afetam significativamente a saúde da pessoa.
Outrossim, a mídia está a todo tempo estimulando a beleza no magro, o que intensifica e dá continuidade a práticas gordofóbicas. Nessa perspectiva, segundo Locke em sua teoria da Tabula Rasa, o homem é como uma folha em branco que vai sendo escrita com os conhecimentos ao passar dos anos. Paralelamente, o enaltecimento de mulheres magras preenche as folhas dos usuários midiáticos do que é “verdadeiramente belo”, e promove a busca por padrões inalcançáveis de beleza. Sob esse prisma, o caminho em que a sociedade está direcionada a seguir, resulta na falta de visibilidade de pessoas com sobrepeso nas mídias, corroborando na falta de representatividade e dificultando o rompimento do estigma. Posto isso, essa interferência maléfica da mídia é capaz de provocar transtornos psíquicos e a redução da autoestima pelo sentimento de frustração por não conseguir alcançar os modelos de beleza disseminados nos aparelhos midiáticos.
Portanto a gordofobia, subsequente do preconceito e persuasão midiática, é um impasse no bem coletivo. Desse modo, é imperioso que o Ministério da Saúde promova campanhas por meio das redes sociais exaltando a importância de priorizar a saúde perante a beleza física, e enaltecer a beleza em todos os corpos, desde os magros até os mais corpulentos. Assim, com o intuito de romper o dilema social em questão e alcançar o bom convívio da sociedade como um todo, independente do tipo físico.