Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 06/09/2021

Para Platão, existem dois mundo: o mundo sensível - o mundo em que vivemos de maneira imperfeita - e o mundo inteligível - mundo idealizado onde as coisas são perfeitas. De maneira análoga, no Brasil, foi criado na consciência coletiva um modelo de corpo a ser seguido - magro e atlético. Todavia, assim como no pensamento platônico, as coisas ideais não se realizam em nossa realidade, e a resposta da sociedade para aqueles que mais se distanciam desse arquétipo é a gordofobia. Logo, é necessário entender as causas desse preconceito a fim de alcançar maior harmonia entre os indivíduos.

Mormente, visando o lucro máximo, a mídia impõe um ideal de corpo que é adotado pelo subconsciente dos indivíduos. Segundo o pensamento dos filósofos Adorno e Horkheimer sobre a indústria cultural, os meio de comunicação têm a capacidade de criar no subconsciente humano o desejo por algo graças à superexposição. Logo, nota-se, ao analisar propagandas televisas como o de uma marca de cerveja em que Verão - personagem magra e de corpo atlético - assim como a estação mais quente do ano, é desejada por muitos. Portanto, ao instaurar tal desejo no insconsciente comunitário muitos se submetem a pagar planos de academia e remédios para emagrecimento, enquanto isso o corpo gordo é cada vez mais depreciado.

Além disso, nesse coletivo regido pelo capitalismo, muitos bens são desenhados e padronizados para atender corpos magros a fim de diminuir os custos de produção. Consoante à lógica fordista, é necessário uniformizar o produto para reduzir as despesas e elevar o lucro e disposição de mercadoria. É notório que o Brasil é um país planejado para magros quando observa-se, por exemplo, que cintos de segurança de aviões não são longos o suficiente para algumas pessoas e as catracas de ônibus têm pequenos espaços para atravessar. Tendo em vista esse planejamento é indubtável que a gordofobia não é uma característica de indivíduos isolados, mas sim da sociedade como um todo.

Portanto, para mitigar essa desarmonia entre os cidadãos é necessário que políticas públicas sejam tomadas. O Ministério da Educação deve organizar campanhas de valorização aos diferente corpos nas escolas, por meio de palestras e seminários - ministrados por profissionais da saúde - a fim de extinguir o ideal platônico da consciência comunitária.