Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 05/09/2021
No filme “Preciosa - Uma História de Esperança”, a protagonista Claireece “Preciosa” Jones, de 16 anos, sofre, entre outros problemas, com a discriminação contra o seu corpo. Em um certo momento do filme, Preciosa diz “Semana passada, a Sra. Rain me pediu que escrevesse como eu queria ser. Eu disse: cabelos longos, pele clara e magra.” A fala expressa como os preconceitos sociais influenciam a visão do corpo ideal para a personagem, que sofre com o racismo e a gordofobia, principalmente. O bullying sofrido pela personagem por conta de seu peso, bem como as injustiças que muitas pessoas gordas sofrem ao tentar arranjar um emprego, as piadas de mal gosto, entre muitas outras situações, todas elas são causadas pela gordofobia, um preconceito que deve ser combatido.
O mercado de trabalho evita contratar pessoas acima do peso. Segundo a pesquisa feita pelo Grupo Catho, no Brasil, 65% dos diretores e presidentes de empresas evitam contratar funcionários que tenham um Índice de Massa Corporal acima da classificação Normal, pois, de acordo com os cálculos das empresas, cada ponto a mais no IMC do funcionário significa a perda de R$92,00 por mês para o gerente. Por conta desse fenômeno, muitas pessoas gordas, ao procurarem um emprego, não são nem questionadas sobre suas habilidades ou formações profissionais, já são totalmente descartadas da lista de potenciais funcionários apenas por conta de sua aparência física.
Não é preciso ser magro para ser saudável e bonito. É muito comum pessoas acima do peso ouvirem as frases “Você ficaria muito mais bonito se emagrecesse”, “Ser gordo não faz bem para sua saúde”, “Você não pode usar esse tipo de roupa, não combina com você”, entre outras frases, além de críticas disfarçadas de piadinhas ou comentários inoportunos. Primeiro de tudo, a única pessoa que deve julgar se determinada pessoa é bonita ou não, esse alguém é ela mesma. Se o indivíduo sente-se bonito do jeito que está, ele não tem nenhuma obrigação de se encaixar no padrão de beleza atual. Em segundo, a gordura corporal não está diretamente ligada com a saúde, pois, segundo a nutricionista Paola Altheia, o excesso de peso pode vir de fatores como genética, metabolismo e composição corporal, por exemplo. Uma pessoa gorda que se alimenta bem, pratica exercícios e cuida de sua saúde mental tem uma vida muito mais saudável do que uma pessoa magra que faz completamente o oposto.
Portanto, a gordofobia é uma prática incabível e sem fundamentos que deve ser combatida a todo custo. Para isso ser alcançado, as empresas podem investir no treinamento de seus gestores para que revejam as suas práticas de contratação para que gordos tenham a mesma chance de contratação que os magros, visando uma maior igualdade no mercado de trabalho. Além disso, o governo pode produzir comerciais para conscientizar a população sobre como é possível ser acima do peso e saudável.