Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 21/09/2021

O médico e filósofo alemão, Albert Schwaitzer, afirma que a ética é o ilimitado respeito a todos os seres, independente das suas características físicas e mentais. Nessa perspectiva, observa-se no território brasileiro a existência de casos associados à gordofobia, no cotidiano dos cidadãos, o  que contrapõe o princípio ético apresentado, problemática intensificada pela visão mercadológica do indivíduo, bem como pela dominação tecnológica das redes sociais. Dessa forma, torna-se relevante a garantia de cumprimento dos Direitos Humanos no meio socioeconômico nacional.

Sob essa ótica, o mercado de trabalho hodierno afeta sobremaneira a visão empática dos indivíduos, pois estimula julgamentos embasados no padrão corporal “fit”, associado, muitas vezes, à maior produtividade do funcionário. Diante disso, Eliane Brum, colunista do jornal El País, no texto Exaustos, correndo e dopados reflete a simulação de guerra que a sociedade produtiva contemporânea demonstra, associando pessoas que se distoam do padrão corporal, ou que apresentem algum desvio salutar, à “inválidos de guerra”. Nessa perspectiva, a visão mercadológica dos cidadãos influenciam diretamente na ampliação da gordofobia no meio cívico, pois o excesso de peso é erroneamente vinculado à improdutividade na “competição”, apresentada pela colunista. Logo, analisa-se como o ambiente laboral, extremamente competitivo, reduz o senso de alteridade no meio social.

Além disso, as formas de dominação tecnológicas apresentam-se por meios flexíveis e maleáveis, e por meio do fator de julgamento, imperado pelas Redes Sociais, o indivíduo que se afasta da estética afirmada tende a ser marginalizado pelos cidadãos alienados. Nesse viés, a série de documentários norte americana “Explained” afirma que o número de tatuagens dobrou, após o surgimento do Instagram, pois passou a ser associado ao padrão de beleza do momento.  Por certo, assim como a tatuagem, o modelo corporal é amplamente ditado pelas plataformas de socialização, contribuindo intensamente para o estabelecimento do preconceito contra quem não se encaixa ao padrão, como indivíduos acometidos pela obesidade. Assim, observa-se como a gordofobia é intensificada pelo processo de dominação tecnológica, evidenciado nas Redes Sociais.

Evidencia-se, portanto, que para amenizar as influências negativas do meio técnico-científico-informacional, e mitigar o desrespeito aos indivíduos acometidos pelo sobrepeso, é importante as plataformas de socialização, como Facebook e Instagram, interceptarem o envio de comentários associados à gordofobia, por meio da introdução de uma ferramenta que identifique reações maldosas, com um filtro de palavras que bloqueie a mensagem antes de ser enviada. Desse modo, o ambiente cívico estabelecerá uma nova relação com o princípio ético apresentado por Albert Schwaitzer.