Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 06/09/2021
Na rede social Instagram, a influenciadora digital conhecida como Alexandrísmos se utilizou das suas vivências sendo uma mulher gorda para criar a hashtag “#CorpoLIvre” para incentivar a postagem de fotos de corpos que estão fora do padrão com o intuito de normatizá-los. Nesse âmbito, ainda há muita discriminação no que se refere às pessoas que possuem características físicas que destoam do que é considerado aceitável pela sociedade, sendo uma dessas práticas a gordofobia, que é a repulsa com indivíduos que estão acima do peso. Desse modo, é fundamental que tal tópico seja debatido para, assim, contribuir para o entendimento acerca da importância de compreender as diferenças na sociedade sem estigimatizá-las.
Primeiramente, a inferiorização do sujeito por ele ter mais gordura que o comum é fruto de uma consciência coletiva de rejeição. Tal fato foi explicado pelo sociólogo francês Émile Durkheim em sua teoria da “ação coercitiva”, na qual uma sociedade se sente na obrigação de condenar qualquer coisa que foge dos padrões como uma forma de defesa ao que é incomum, que é visto como uma ameaça. Logo, a existência de pessoas com sobrepeso e obesas é vista negativamente, sendo as mesmas alvos de comentários extremamente desrespeitosos que mexem com a autoestima e com o estado mental de quem passa por isso.
Além disso, há ainda a associação precipitada de que o excesso de peso é causado apenas por desleixo e maus hábitos. Contudo, com os avanços científcos, foi descoberto que há, em inúmeros casos, fatores genéticos que determinam a predisposição à obesidade, contribuindo para o aumento do apetite. Por outro lado, muitos magros possuem dietas de péssima qualidade nutricional em relação a algumas pessoas gordas e, ainda assim, possuem um índice de massa corporal (IMC) mais adequado, também devido à herança dos genes. Sendo assim, o desconhecimento desses mecanismos biológicos corroboram para a disseminação de falas discriminatórias sem qualquer embasamento.
Portanto, deve haver melhor compreensão dos brasileiros acerca da desnecessidade desse preconceito e a importância da aceitação sem que haja julgamentos indevidos em relação ao peso. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde produzir campanhas publicitárias que apresentem as vítimas lendo comentários de ódio de gordofóbicos e relatando experiências de humilhação por conta de seus corpos para sensibilizar a população em relação aos impactos dessa agressividade gratuita. Por fim, as escolas de ensino básico podem estabelecer, além de aulas sobre a biologia do corpo e sua ligação com o ganho de massa, debates com professores de sociologia que discutam a manifestação coletiva de repulsa ao que é diferente, permitindo uma reflexão acerca dessa questão problemática.