Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 08/09/2021
No filme “I feel pretty” de 2018, é retratada a história de Renee, uma mulher gorda que vive à sombra da sociedade pelo medo da discriminação imposta ao seu corpo. Ao longo da trama, a protagonista sofre um acidente e quando acorda sua autovisão está modificada de forma que ela passa a se ver magra. A narrativa, assim, discorre sobre a liberdade e o controle da própria vida que ela ganhou ao não ter mais medo do julgamento quanto ao seu peso. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada a esta do século XXI: Doenças mentais e restrições sociais como consequência da gordofobia no Brasil.
Nesse contexto, é importante destacar que, ao longo dos séculos, o corpo gordo se tornou, cada vez mais, um fonte de julgamentos estéticos por não se encaixar em um padrão de peso imposto pela própria sociedade, tornando, assim, difícil que as pessoas gordas se sentissem bem consigo mesmas. Nesse sentido, pode-se citar, por exemplo, o caso da jovem Dielly de 17 anos que cometeu suicídio recentemente, após meses lidando com a depressão, por comentários depreciativos a respeito do seu corpo e incentivos para que ela emagrecesse. Assim, a gordofobia é uma problemática que leva a vitima ao seu limite se tornando um fator de promoção de instabilidade psicológica.
Além disso, é possível perceber que a sociedade atual gira em torno do corpo magro de forma que a dinâmica e a estrutura social tem o mesmo como parâmetro. Nessa perspectiva, vê-se, por exemplo, a vacinação contra o Covid-19 de pessoas gordas dentro de um estado de urgência por uma questão de falta de infraestrutura nos hospitais para comportar pessoas fora do estado de magreza mínimo do padrão social. Logo, sob essa ótica, é perceptível que a discriminação quanto ao sobrepeso não mais se limita à pressões estéticas, mas também à restrições no âmbito social, de forma que a pessoa gorda passa a ter que se moldar para se encaixar em situações que deveriam atender a toda a população.
Depreende-se portanto, em função dos aspectos abordados, que a gordofobia é uma problemática que desumaniza a pessoa gorda e o seu corpo. Para o combate ao preconceito com o sobrepeso, urge que os órgãos de segurança melhor punam a prática da discriminação com pessoas gordas por meio do aumento do valor da multa e que o Ministério da Economia faça um maior investimento em uma infraestrutura para todos e não somente para pessoas magras de forma a produzir, por exemplo, assentos em aviões e macas de hospitais especializadas. Somente assim será possivel a existência de um melhor país para se viver de forma plena e livre independente do seu peso ou formato do corpo.