Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 09/09/2021

De acordo com o filósofo John Locke, em sua teoria da “Tábula Rasa”, o ser humano nasce como papel em branco, e é preenchido ao longo da sua vida. Analogamente, o cidadão é preenchido com um preconceito com quem possui quilos a mais na balança e oprime isso radicalmente. Nesse sentido, é legítimo associar as causas dessa gordofobia à influência midiática e ao preconceito com indivíduos de IMC elevado. Dessa forma, são essenciais as palestras públicas a fim de minimizar o preconceito com os obesos.

Em uma primeira análise, é válida a constatação que ao contrário do que é muito mostrado nas telas, o corpo perfeito não existe, e a frequente opinião alheia fomenta a problemática em pauta. De acordo com o dicionário brasileiro, o corpo é uma unidade orgânica que ocupa local no espaço. Nesse contexto, todo corpo é normal e deve ser tratado como apenas mais um. Apesar disso, a mídia carrega o indivíduo com a ideia de corpos divinos, acompanhado da exclusão dos que não se encaixam nesse padrão. Nessa perspectiva, é “normal” que o indivíduo abomine o elevado peso, já que na contemporaneidade, a busca pelo corpo ideal é divisor de águas para se sentir normal. Posto isso, o resultado são altas taxas de distúrbios alimentares e psicológicos como ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

Outrossim, a falta da romantização de corpos saudáveis, apenas fora de um padrão inexistente, é fator que estimula a gordofobia. Sob esse prisma, cabe citar o filósofo William Jones que acreditava que o ser humano poderia transformar a sua vida com a sua atitude mental. Sendo assim, é viável que mudando a suas ações mentais, o indivíduo consiga remover sua sensação de superioridade a fim de acabar com o preconceito gordofóbico. Diante disso, é cristalino que o preconceito é apenas de quem acredita que o corpo é a ferramenta de manipulação da sociedade e é escravo da balança e da opinião alheia. Dessa forma, o preconceito surge e os corpos obesos são desprezados e tratados como lado ruim da sociedade.

Infere-se, portanto, que o preconceito e o poder de opinião que a mídia possui são motivadores fulcrais da gordofobia. Logo, é imprescindível que o Ministério da Educação promova palestras educativas, por meio de propagandas e anúncios em aparelhos midiáticos em parceria com universidades e escolas, a fim de desmentir padrões de corpos inalcançáveis e banalizar corpos comuns e saudáveis e suas peculiaridades. Destarte, o preconceito e a gordofobia irão reduzir sua alta taxa e suas cruéis consequências.