Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 16/09/2021
Nas histórias infantis de “Turma da Mônica”, a protagonista sofre diariamente com apelidos de mau gosto dados pelos seus colegas, que ridicularizam suas características físicas, como quando ela é chamada de “gorducha” por diversas vezes. Hodiernamente, é comum observar na sociedade brasileira, tanto no cotidiano físico quanto no cotidiano virtual, a enorme discriminação às pessoas gordas simplesmente pela sua aparência. Em tais situações, pode-se listar como causas da problemática o atual padrão de beleza imposto pelas mídias e a falta de consciência dos cidadãos para com o assunto.
Em primeiro plano, é visível a imposição midiática de uma “estética perfeita” para a nação contemporânea, que busca seguir tudo aquilo que é exibido em massa como um corpo “correto”. Historicamente, não é a primeira vez que isso ocorre, já que, em quase todas as sociedades antigas, havia um certo conceito do que era “belo”. Por exemplo, na época do renascimento, havia um ideal greco-romano de beleza, somados à gordura, que era um indicativo de status social, relacionado à vida ociosa dos ricos. Entretanto, na década de 1950, com o começo dos concursos de beleza transmitidos, o padrão se alterou, e surgiu uma valorização da magreza. Consequentemente, uma certa hostilidade contra os não adeptos aos novos modelos surgiu e contribui para o surgimento da atual gordofobia.
Simultaneamente, também é notória a grande desinformação sobre a problemática por parte da nação verde-amarela, na qual muitas vezes não estão conscientes das próprias ações discriminatórias. Consoante a uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), foi constatado que o preconceito contra os obesos está presente na rotina de 92% dos brasileiros. Nesse estudo, entre os cidadãos que não se reconheceram como preconceituosos, 89% admitem que já falaram ou ouviram alguém dizer a frase “ele é bonito, mas é gordinho”. Então, enquanto houver tantos praticantes da agressão verbal aos portadores de sobrepeso, a aversão a estes não diminuirá.
Destarte, pode-se inferir que há um conjunto de fatores que justificam as elevadas estatísticas de gordofobia no Brasil. Logo, para diminuir tais números, o Ministério dos Direitos Humanos, em conjunto com os veículos de comunicação em massa, deveriam investir em meios de intervenção com o objetivo de ampliar a conscientização da população para com o assunto. Esses meios poderiam vir a partir de incentivos à fiscalização desse tipo de caso destinados a órgãos da Polícia Federal responsáveis pelo enfrentamento da problemática, além da promoção de campanhas conscientizadoras em território nacional por meio de palestras, outdoors, comerciais, etc. Assim, as situações vividas por Mônica seriam cada vez menos vistas em território nacional.