Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 15/09/2021
Promulgada em 1988, a Constituição da República do Brasil instaura como dever do Estado garantir os direitos fundamentais para qualquer cidadão, independentemente da condição social, econômica, cor da pele e características físicas. No entanto, a discriminação vivenciada por pessoas gordas, que vão de imposição de padrões estéticos até não acesso a produtos devido às pequenas numerações, evidenciam uma falha do governo em garantir isonomia constitucional e a necessidade de reverter essa realidade.
Em primeiro lugar, durante a Idade Média o “corpo ideal” era da mulher robusta e cheias de curvas, como o representado pela estatueta de Vênus. Logo, esse padrão era corporal o de quem tinha acesso a boas condições de vida, burguesas da época, em detrimento das magras que denotavam pobreza. Nesse ínterim, ocorre uma inversão na percepção de gordura, difundindo o padrão de magreza e consolidando uma estigmatização da adiposidade. Atualmente, estar acima do peso desencadeia inúmeras situações constrangedoras, tal fato pode ser exemplificado pelo caso ocorrido na loja de roupas Farm, em São Paulo, onde um cliente veio a público relatar a situação de humilhação da sua filha que foi debochada por funcionárias que deram risos mediante a sua presença no estabelecimento, já que a loja não apresenta numeração maiores, mostrando a necessidade de inserir novos padrões no mercado da moda.
Outrossim, outro estigma associado a gordura é de doença. Em suma, costumam associar estaturas corpulentas a efemeridades sem qualquer embasamento científico para isso. Mediante a essa associação, a modelo plus size Ashley Graham, respondeu um comentário em uma foto que havia adicionado em suas redes sociais falando que as pessoas se sentem confortáveis em verem mulheres do tamanho dela e dizerem que ela não é saudável, mas que essa afirmação só é verídica quando parte do médico dela, o que demonstra como a ideia é difundida na sociedade.
Portanto, é necessário medidas que resolvam o impasse. O Ministério da Saúde deve promover uma campanha de não rotulação de gordos, através das mídias do órgão governamental, que deve ser ministrada por médicos endocrinologistas responsáveis por explicar a diferença entre estar gordo e doente estar. Ademais, o Ministério do trabalho deve obrigar estabelecimento de atendimento ao público a prover condições para que todo cidadão possa usufruir dos seus produtos, buscando assim, colocar fim ao impacto da gordofobia.