Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 14/09/2021
GORDOFOBIA E O CULTO AO CORPO PADRÃO
Em primeira instância, é mister analisar criticamente o modo com que o peso de alguém é constantemente usado como indicador de saúde e o fator “mídia” nesse processo. Assim, na tradição greco-romana, por exemplo, regida pelo mote “corpo são, mente sã”, o corpo magro e musculoso significava racionalidade e moderação dos hábitos, enquanto, ser “corpulento” representava uma entrega demasiada aos prazeres. Nesse contexto, em uma sociedade marcada pela influência do cinema e televisão, e recentemente, das redes sociais, ao exibirem modelos de copos magros como exemplos de bonitos e saudáveis, acabam contribuindo para a perpetuação do mote aristotélico, na medida em que somos constantemente abordados com exemplos de corpos bonitos ideais e saudáveis, e o corpo acima do peso nunca está entre eles, visto, portanto como “feios” e “doentes”, além da desconsideração dele como um corpo que pode ser admirado.
Desde o período medieval existe a gordofobia, pois para o entendimento judaico-cristão clássico, a gula é um dos sete pecados capitais e, portanto, uma demonstração de fracasso moral. Nesse período, o jejum era uma prática constante que valorizava a espiritualidade em detrimento do corpo. Logo, fica claro que a cultura ao corpo padrão não é apenas um problema atual, mas que vem de gerações. A princípio, esse cenário antagônico é fruto tanto do preconceito enraizado aos corpos fora dos padrões, como também na falta de atuação da mídia e do Estado, para o rompimento do padrão imposto.
O livro “This Perfect Day” de Iran Levin narra a vida de uma sociedade que atinge a sua plena felicidade,já que desprovinha de conflitos interpessoais.Contudo,a história exposta pelo autor manteve-se na literatura,tendo em vista a eclosão tanto da gordofobia quanto do culto ao corpo padrão.Sob esse viés,para a reversão desse cenário,é válido averiguar as atitudes do mundo econômico.