Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 14/09/2021
Ignorância, preconceito, padrão de beleza. Essas são algumas palavras que, infelizmente, definem as principais causas da gordofobia no Brasil. Sabendo disso, é preciso pôr em destaque as inevitáveis consequências advindas desse problema: a banalização de preconceitos direcionados a parcela da população obesa e a ausência de auxílio por parte do governo para com esses cidadãos.
Em primeira instância, é importante analisar criticamente o modo com que o peso de alguém é constantemente usado como indicador de saúde e o fator “mídia” nesse processo. Assim, na tradição greco-romana, por exemplo, regida pelo mote “corpo são, mente sã”, o corpo magro e musculoso significava racionalidade e moderação dos hábitos, enquanto, ser “corpulento” representava uma entrega demasiada aos prazeres. Nesse contexto, em uma sociedade marcada pela influência do cinema e televisão, e recentemente, das redes sociais, ao exibirem modelos de copos magros como exemplos de bonitos e saudáveis, acabam contribuindo para a perpetuação do mote aristotélico, na medida em que somos constantemente abordados com exemplos de corpos bonitos ideais e saudáveis, e o corpo acima do peso nunca está entre eles, visto, portanto como “feios” e “doentes”, além da desconsideração dele como um corpo que pode ser admirado.
Ademais, é perceptível que o preconceito com quem está acima do peso existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que tal preconceito foi- e ainda o é- transmitido por gerações, o que evidencia a banalização da gordofobia. Assim, a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, defende que o comportamento xenófobo ou preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com a questão da discriminação das pessoas gordas.
Diante disso, é notória a urgência para que a gordofobia seja extinta do senso comum brasileiro. Para tal, é imprescindível que o Ministério da Educação(MEC), por ser o principal responsável por delimitar quais conteúdos devem ser ensinados as crianças e aos jovens brasileiros, conscientize o quão prejudicial é, para a humanidade, existir um povo que odeia minorias. Isso deve ser feito por meio da criação de uma matéria obrigatória para todas as escolas do Brasil, a qual desenvolva sentimentos de empatia e amor ao próximo em todos os estudantes. Assim, as futuras gerações serão muito menos preconceituosas e, finalmente, o famigerado mito do “brasileiro cordial” se concretizará.