Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 15/09/2021

O “Body positive”, movimento ativista de grande projeção nas redes sociais, questiona ideais estéticos normativos, com o objetivo de promover a autoestima dos indivíduos destoantes desse padrão. No entanto, embora a iniciativa incite esse importante debate, a gordofobia ainda é uma realidade no Brasil. Nessa perspectiva, é imprescindível apontar o papel da grande mídia e da internet nessa problemática.

Tal conjuntura está muito relacionada à falta de representatividade de corpos na mídia. De acordo com Adorno e Horkheimer, filósofos da Escola de Frankfurt, a indústria cultural padroniza os gostos e comportamentos, a fim de massificar o consumo. Por isso, as produções midiáticas, como filmes e novelas, representam, majoritariamente, indivíduos condizentes com o ideal estético normativo, ou seja, relacionado à magreza. Desse modo, as pessoas que divergem desse padrão são pressionadas a se enquadrarem, por meio de produtos estéticos e até mesmo de cirurgias plásticas, o que favorece o mercado da beleza em detrimento da diversidade corporal. Percebe-se, portanto, a influência de interesses de cunho mercadológico no preconceito contra pessoas gordas.

Por sua vez, as redes sociais acentuam essa padronização e o estigma associado ao peso. Em “nosedive”, episódio da série “Black Mirror”, é retratado um mundo distópico, no qual o reconhecimento e a ascensão social dependem de uma nota em um aplicativo. Nesse contexto, a protagonista, dentre outras ações, tenta emagrecer para aumentar a sua pontuação e, consequentemente, o seu prestígio perante a sociedade. Paralelamente à ficção, apesar das contribuições positivas do movimento “body positive” nos meios digitais, o culto à autoimagem na internet, principalmente no Instagram, pode levar ao adoecimento mental dos indivíduos pela dificuldade de autoaceitação, dado que, muitas vezes,  pessoas com obesidade são marginalizadas e excluídas simplesmente pela sua aparência. Em vista disso depreende-se a necessidade de medidas socioeducativas que minimizem esse cenário.

Diante desse panorama, cabe ao Ministério da Saúde alertar a população das implicações danosas da gordofobia, por intermédio de campanhas midiáticas. Dessa forma, com vistas a desconstruir esse estereótipo, a ação deve convidar ativistas do movimento “Body Positive” para relatarem como o preconceito afetou a saúde mental dessas pessoas ao longo das suas vidas. Dessa maneira, espera-se a diminuição das discriminações sofridas por esse grupo social na realidade brasileira.