Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/09/2021

Recentemente, a marca de roupas íntimas, Vitoria Secrets, divulgou na imprensa, que não realizaria mais seu tradicional desfile com as famosas “Angels”, as quais eram modelos altas e magras. Pode-se inferir, que a decisão de cancelamento da apresentação citada é o reconhecimento que um dos principais pilares para a gordofobia no Brasil é a glamorização da magreza por parte das empresas e midias telecinematográficas, que trazem consequências danosas, tanto fisícas, quanto psicológicas,  para as vítimas desse preconceito.

Em primeira análise, a aversão à pessoas com sobrepeso apresenta como uma de suas causas, o padrão de beleza moldado ao longo dos anos, majoritariamente, pela indústria da moda, a qual era representada somente por pessoas magras e esguias, e não, necessariamente saúdaveis. Ademais, outras formas de cultura, como o cinema e a televisão, também endoçaram este biotipo, pois os personagens principais - heróis e mocinhos - são em geral, interpretados por atores dentro do padrão de beleza. Até mesmo em filmes, que abordam a temática gordofobia, como, por exemplo, no filme norte americano, “O amor é cego”, no qual a pesonagem principal, uma mulher gorda vítima de preconceito, que se envolveu amorosamente somente porquê seu par a enxerga como uma pessoa magra, é interpretado por uma atriz com uma silhueta esbelta.

Consequentemente, diante do culto às formas corporais inatingíveis, não é espantoso os casos crescentes de pessoas, em especial as mulheres, com algum distúrbio alimentar, como a bulimia e a anorexia. Além desses, problemas psicológicos e comportamentais, como a insegurança e a reclusão social,  também estão presentes, como conta a youtuber Alexandra Gurgel, do canal Alexandrismos, em seu vídeo intitulado “Magra para quem?”, no qual relata ter recebido vários comentários positivos, pois estava mais magra, e ao ir à uma loja de roupas esportivas, foi hostilizada pela vendedora por causa da sua imagem, que segundo a própria Alexandra, ainda é de uma mulher gorda. Assim, é notório, que a falta de sensibilidade com o público acima do peso ainda é presente na sociedade brasileira, e que, infelizmente, se a vítima do gordofobismo, não tiver uma estrutura psicológica para ignorar tais ofensas,  casos extremos, como o suícidio podem ocorrer.

Portanto, é necessário que a secretária da Cultura e o Ministério da Saúde, realize palestras e debates, por meio da internet, com a participacão de especialista na aréa da saúde e empresas relacionadas com propagandas, filmes, novelas, internet, dentre outros meios de comunicação, sobre a importância da aumentar a representatividade de pessoas com diferentes corpos na mídia, com o intuito de quebrar o padrão magro e belo e diminuir com isso, os ataques gordofóbicos.