Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 22/09/2021
Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário sobre a gordofobia no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento do debate entre o egocentrismo humano e de doenças adjacentes ocasionadas por esse prejulgamento. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio, que o escritor Zygmunt Bauman alegou, em sua obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é a maior característica e o maior conflito do pós-modernidade, e a sociedade tende a não tolerar as diferenças. De maneira análoga, a gordofobia é evidenciada desde o ambiente escolar ao de trabalho e, até mesmo, nas ruas; é corriqueiro avistar olhares julgadores e piadas preconceituosas vindos de indivíduos que detém de prenoções enraizadas de que pessoas acima do peso são inferiores, o que leva a grupos egocêntricos, cada vez maiores, disseminar inverdades e intolerâncias direcionadas a tal público, corroborando em um dilema social com dimensões cada vez maiores.
Sob outro prisma, faz mister salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele perceberia quão certeira foi sua decisão: o atual panorama do adoecimento da população acima do peso devido ao preconceito sofrido é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Isto posto, a segregação social é uma das alternativas adotadas pelo os obesos para diminuir tal aversão, o que diminui a procura por profissionais responsáveis por dignosticar e tratar a obesidade, além desse isolamento, grande parte das vezes, trazer distúrbios e doenças que pioram tal cenário, como a compulsão alimentar, a ansiedade e a depressão, acarretando na acentuação da problemática.
Destarte, forças externas devem tornar efetivas, vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, eduque e informe a população sobre as consequências da gordofobia, por intermédio de campanhas educacionais e debates televisivos, ministrados por médicos e nutricionistas, para erradicar tais preconceitos, além de direcionar os obesos a procurar atendimento especializado, a fim de romper paradigmas esdrúxulos e conceder apoio às vítimas . Somente assim, alcançar-se-á um corpo social empático e mais saudável, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.