Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante à todos os indivíduos o direito insofismável à saúde e ao bem-estar social. Contudo, ao analisar os altos índices de gordofobia, ou seja, aversão à gordura e pessoas acima do peso, vê-se que é indubitável o fato de que parte da população é impedida de desfrutar desse direito universal na prática. Isso gera segregação social, além de infelicidade para as vítimas. Quanto às causas, pode-se apontar pelo menos dois fatores que contribuem para a eclosão desse quadro: o déficit educacional e a insuficiência legislativa.

De início, sabe-se que a educação é o principal fator na economia de um país, e, ocupando a décima terceira posição na economia mundial, segundo ranking do IBGE, de 2020, seria plausível afirmar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Em contrapartida a realidade é o oposto, e o resultado desse contraste é refletido no desrespeito e falta de ética por parte da população para com indivíduos acima do peso, que acabam sendo marginalizados na sociedade. Convém, por isso, mencionar a citação do filósofo Immanuel Kant, que diz “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Refletindo sobre essa frase, nota-se que parte da solução para a gordofobia passa por melhoria do conteúdo/sistema de ensino popular.

Ademais, faz-se relevante, ainda, salientar a insuficiência legislativa, ou seja, ausência de leis e/ou falhas em suas aplicações como impulsionadora do problema, visto que a falta de programas sociais e dispositivos que ofereçam recursos como medicações e intervenções cirurgicas como forma de redução do índice de sobrepeso, tornam verdadeiro desafio o combate não só à gordofobia como a precarização da saúde. É conveniente, por isso, inclusive, destacar que o direito à saúde e bem-estar coletivo estão previstos em Constituição. Em vista disso, torna-se necessário repensar o modo e a eficiência das leis como forma de combate à gordofobia.

Logo, sendo o déficit educacional e a insuficiência legislativa fatores responsáveis pela eclosão desse quadro, medidas para o contorno podem ser, por exemplo, inclusão de educação ética e direitos civis nas escolas e a criação de programas sociais de saúde para tratamento de indivíduos obesos. Tais objetivos podem ser alcançados por meio de parcerias entre os Ministérios da Saúde e Educação e o Estado, que juntos devem discutir, em conferências, planos e meios para intervirem, solucionando de forma definitiva a saúde e conforto coletivo de individuos acima do peso. Somente assim o Brasil poderá superar o infortúnio.