Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 20/09/2021

A obra “Homem Vitruviano”, do renascentista Leonardo da Vinci, retrata como o corpo humano é idealizado, desde tempos remotos. Nessa perspectiva, é possível notar, hodiernamente, uma ressignificação do corpo que remete somente à estétitica, fato este que gera comportamentos exagerados, como o culto ao corpo padrão e o preconceito com o excesso de peso: gordofobia. Esta discriminação ocorre não só pela propagação midiática de estereótipos “ideais”, mas também pela manutenção histórica de tal preconceito na sociedade.

Desde já, é notório que nos canais de mídia há a propagação de esteriótipos de idealização corporal que geram obsessão, ansiedade e insegurança em grande parte da população. Por conseguinte, verifica-se a disseminação da cultura “fitness”, com a presença de influenciadoras digitais e modelos expondo corpos magros e com definição muscular, além da divulgação de produtos relacionados ao emagrecimento. Sob tal ótica, o ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, ao afirmar que algo só se torna verdade ao ser veiculado constantemente, ratifica como a mídia e a publicidade influenciam em uma doutrinação de estereótipo perfeito.

Ademais, é perceptível que o preconceito com quem está acima do peso existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que tal prejulgamento foi e ainda o é transmitido por gerações, o que evidencia a banalização da gordofobia. Assim, a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, defende que o comportamento xenófobo ou preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com a questão da discriminação das pessoas gordas.

O culto excessivo ao corpo e a gordofobia, portanto, são impasses que necessitam ser mitigados. Para tanto, urge ao Ministério da Educação implementar no ensino básico, técnico e superior, aulas e atividades dinâmicas, além de palestras, que evidenciem como a gordofobia é algo atual e recorrente e, por isso, deve ser combatida. Sendo assim, tal medida deve ocorrer por meio de profissionais da saúde, como psicólogos e psiquiatras, além do depoimento de pessoas que já sofreram com esse preconceito. Logo, a ideia de corpo saudável será reajustada e, assim, poderá remeter à valorização corporal de Da Vinci.