Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/09/2021
Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, do livro clássico “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, pois acreditava em um Brasil utópico. Entretanto, a gordofobia na sociedade brasileira, devido ao preconceito, torna o país distante do que foi imaginado pelo protagonista sonhador. Nesse sentido, percebe-se uma configuração de um grave problema de contornos específicos, que emerge tanto pela negligência governamental como pela má influência da mídia.
Em primeiro plano, é evidente que o descaso do governo se apresenta como promotor do cenário de injúria com quem é gordo no corpo social. No que se refere a isso, é pertinente trazer a afirmação de Abraham Lincoln sobre a política: essa é serva do povo e não o contrário, por isso tem a incumbência de assegurar suas concessões. Somado a isso, o dado estatístico divulgado pelo IBGE, no qual aponta que 70% dos brasileiros acima do peso já sofreram algum tipo de discriminação, comprova que é necessário ações efetivas o suficiente para mitigar essa difamação com quem tem excesso de tecido adiposo.
Além disso, a inadequada atuação dos meios de comunicação ainda é favorável para a persistência da gordofobia presente na nação verde-amarelo. Acerca disso, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Sob esse perspectiva, é observável que a mídia, ao invés de promover informações que se referem ao desleixo do governo com as calúnias sofridas por quem não tem um corpo magro, influencia na consolidação de uma falta de respeito com os gordos, em razão do silenciamento midiático de uma situação que perdura atualmente e precisa ser cessada.
Portanto, é visível a necessidade de intervenção em relação à gordofobia no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Cidadania promova campanhas de conscientização popular, através de escolas, universidades e praças municipais, sem sentido de combater a alienação social sobre o desprezo com quem esta acima do peso. Dessa forma, tais campanhas devem ter alcance nacional, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo, por exemplo, na iminência de que seja debatido a importância de não julgar o próximo, com o objetivo de minimizar como discriminações do dado exposto e diminuir atitudes gordofóbicas . Feito isso, espera-se tornar o país mais próximo do Brasil utópico de Policarpo Quaresma.