Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 05/10/2021
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, como esse composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para se obter um pleno funcionamento do meio social é necessário mantê-lo igualitário e coeso. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, visto que há poucos debates sobre a gordofobia no país. Isso é possível, devido ao preconceito, além da naturalização das ações gordofobicas, favorecendo assim um cenário de iniquidade.
Em primeira análise, deve-se ressaltar o preconceito enraizado com pessoas que não seguem o padrão imposto pela sociedade como um dos principais responsáveis da realização de poucos debates sobre a gordofobia no Brasil. Conforme o filósofo Rousseau, “o homem nasce livre, mas por toda parte se encontra acorrentado”. Nessa perspectiva, depreende-se que por não seguirem o padrão do corpo ideal, sem gordura, os indivíduos acima do peso são aprisionados por falas e atitudes carregadas de preconceitos que tentam inferioriza-los. Com isso, torna-se mais difícil obter uma representatividade dessas pessoas no meio social. Dessa maneira, esses cidadãos permanecem sem voz na sociedade sem conseguirem abordar sobre a gordofobia e permanecem sofrendo calados.
Ademais, a naturalização de ações gordofóbicas emerge como fator determinante na realização de poucos debates sobre essa temática. Segundo a filósofa Hanna Arendt, “quando uma atitude agressiva ocorre constantemente as pessoas param de vê-la como errada”. Nesse viés, as críticas e ofensas feitas as pessoas acima do peso foram naturalizadas e são, hoje, vistas pela maior parte da sociedade como uma tentativa de ajuda e não como práticas de gordofobia. Assim, prejudica-se a vida desses indivíduos, uma vez que por internalizar essas falas desrespeitosas, propicia-se o desenvolvimento do isolamento social e de algumas doenças, como ansiedade e depressão. Dessa forma, sendo mais um entrave a ser vencido na busca de melhor qualidade de vida por esse público.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigarem essa problemática. Para isso, é imprescindível que a mídia, como difusora de informação, viabilize a representatividade desse público, por meio da aparição desses cidadãos em propagandas e ficções engajadas, a fim de que a diversidade possa ser vista como normal. Além disso, é imprescindível que o poder público, como regulador social, através de campanhas alerte a população sobre a necessidade de repensar e modificar alguns costumes, de modo que todos possam ser devidamente respeitados. Desse modo, contribuindo para a concretização do pensamento de Durkheim.