Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 27/09/2021
No filme “Coringa”, de 2019, o personagem Arthur Fleck sofre com um transtorno psicológico que o faz ter crise de risadas em momentos incovenientes, o que o leva a ser alvo de chacota e de agressões. Analogamente, indivíduos acima do peso, no contexto atual do Brasil, também são extremamente mal tratados pela sociedade e sofrem diariamente com a gordofobia, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só pela cultura de padronização corporal, mas também pela ineficiência estatal. Assim, é fundamental analisar tais fatores para liquidar essa problemática.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto de uma cultura de homogeneização do corpo. A esse respeito, de acordo com o escritor George Orwell, as mídias são capazes de controlar a massa popular. Sob tal ótica, percebe-se que, mediante a divulgação de material publicitário - tanto em rede televisiva quanto digital - que exclui a diversidade de formas e de indivíduos, cria-se uma estereótipo em torno do corpo ideal. Prova disso, são os inúmeros comerciais televisivos apelativos que sempre exibem homens com o famoso “tanquinho” e mulheres magras como alvos de desejo e como modelos a serem seguidos. Consequentemente, as pessoas que não se enquadram nesse padrão não possuem representatividade e, muitas vezes, sentem-se excluídas da dinâmica social.
Ademais, a discussão em curso deriva ainda da ineficiência governamental do país. Nesse sentido, John Locke afirma que “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis” para justificar a necessidade de intervenção estatal no cumprimento da lei. Contudo, com a inoperância das esferas de poder brasileiras, verifica-se, na prática, a impunidade daqueles que praticam a gordofobia. Isso porque, com a falta de medidas punitivas mais severas, a população obesa fica cada vez mais vulnerável e exposta à ação de agressores. Em virtude disso, é comum que essa parcela do povo desenvolva distúrbios psicólogicos, os quais costumam agravar o quadro de obesidade, aumentar o risco de desenvolver depressão e, no pior dos casos, podem culminar no suicídio. Logo, urge que a alteração desse quadro ocorra de imediato.
Portanto, de modo a combater os malefícios da gordofobia, medidas exequíveis devem ser tomadas. Primeiramente, cabe às emissoras televisivas, em parceria com empresas relevantes, uma maior veiculação de publicidade inclusiva. Isso deve ser feito por meio da utilização de modelos com os mais diversos tipos de corpos - os quais devem apresentar as mais diversas faixas etárias - em comerciais e em propagandas a fim de que a padronização corporal seja interrompida, dando lugar à diversidade e à individualidade. Além disso, compete aos poderes Legislativo e Judiciário a criação de leis mais rígidas e a aplicação delas de forma adequada, para que a impunidade cesse e a justiça seja sempre feita.