Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 27/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito insofismável à saúde e ao bem-estar social. Contudo, ao analisar os altos índices de gordofobia, ou seja, aversão à gordura e pessoas acima do peso, vê-se que parte da população é impedida de desfrutar desse direito universal na prática. Isso gera segregação social, além de afetar negativamente o emocional das vítimas. Quanto às causas, pode-se apontar pelo menos dois fatores que contribuem para a eclosão desse quadro: o déficit educacional e a insuficiência legislativa.

De início, sabe-se que a educação é o principal fator na economia de um país, e, ocupando a décima terceira posição na economia mundial, segundo o ranking do IBGE, em 2020, seria plausível afirmar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Em contrapartida a realidade é justamente o oposto, e o resultado desse contraste é refletido no desrespeito e falta de ética por parte da população para com indivíduos acima do peso, que acabam sendo marginalizados na sociedade. Convém, por isso, inclusive, mencionar a citação do filósofo prussiano Immanuel Kant, que diz: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” Refletindo sobre essa frase, nota-se que parte da solução para a gordofobia parra por melhoria do conteúdo/sistema de ensino popular.

Ademais, faz-se relevante, ainda, salientar a falta de programas sociais específicos como impulsionadora do problema, visto que a ausência destes dispositivos dificultam não somente o tratamento físico como também a integração e aceitação de obesos na sociedade dita “normal”. Como revela uma pesquisa do IPO (Instituto de Pesquisa e Opinião), de Janeiro de 2021, aproximadamente 65% dos obesos no Brasil não se sentem acolhidos socialmente, e ainda, por vezes são discriminados. Diante desse contexto, constata-se ser fundamental a criação de programas públicos de tratamento contra a obesidade e plataformas de educação e acompanhamento psicológico objetivando a melhoria também da saúde mental destes.

Logo, sendo o déficit educacional e a falta de programas sociais específicos fatores responsáveis pela eclosão desse quadro, medidas para o contorno podem ser, por exemplo, a inclusão de educação de ética e direitos civis nas escolas e a criação de programas populares de saúde e acompanhamento  para tratamento de indivíduos obesos. Tais objetivos podem ser alcançados por meio de parcerias entre os Ministérios da Saúde e Educação e o Estado, que juntos devem discutir, em conferências planos e meios para intervirem, solucionando de forma definitiva a saúde e o conforto coletivo de indivíduos acima do peso. Somente assim o Brasil poderá superar o infortúnio.